O que é que as pessoas fazem nos óbitos e nas exéquias fúnebres, afinal? | Vicente Neto

Opinião

À mim parece que a falta de valores (ético-morais, sócio-culturais, religiosos e outros afins) está atingindo níveis desproporcionais alarmantes no que a sua observância diz respeito. Já não basta não nos importarmos com os outros enquanto vivos, porque, aqui na banda as cenas são mesmo contrárias, só fingem te valorizar quando já não fazes parte do mundo dos vivos… podes estar no hospital, agonia da morte, precisando de apoio financeiro, entre outras ajudas até mesmo a espiritual, ninguém te dá a mínima! Quando morres, opaaaaaaaa! Tens ainda que suportar lágrimas de crocodilos, choros hipócritas e uma dose bem requintada de “aparecímetro” (vulgo madoíce) em níveis puramente exagerados e claro, maior parte desses actos sem quaisquer gotas de melancolia.

O que de facto me deixa surumbático, embasbacado, intrigado e bastante revoltado, é o desrespeito das pessoas nas casas enlutadas e no acto das exéquias fúnebres. Então, a pessoa vai ao óbito pra quê? Mostrar roupa? Fato novo? Vestido curto ou inaugurar aquele grife que que está à espera do momento para se estrear? Possas… isso tá demais Ya! Uns só vão aos óbitos para comer/beber, outros para jogarem sueca e alguns ainda em pleno desrespeito ao momento, importunando, fazem as maiores gracinhas com gargalhadas que ultrapassam os decibéis da voz de Pavaroti ou mesmo de Andrea Bocelli. Não é que devamos estar em silêncio, mas perpassar o razoável já é o cúmulo, acho.

Durante as exéquias fúnebres então, aí a situação é um pouco mais grave… Sinceramente, não consigo digerir isso de ânimo leve. Primeiro, tem aqueles que vão aos funerais e não querem levar ninguém consigo (dar boleia), porque não querem sujar o carro. Mas a gravidade acontece mesmo no interior do Cemitério, uns a exibirem telefones, outros andando abraçados fazendo carinhos (nada fraternal), as conversas e gargalhadas amontoadas à volta do féretro (caixão) não param, as pessoas vão ao funeral mas a primeira intenção é encontrar um sítio cômodo com sombra para se sentir aconchegado…isso para não falar daquelas pessoas que vão ao cemitério e preferem ficar fora, a beber e isento de qualquer sentimento e comportamento que se adequa ao momento. Não nos importamos com as pessoas enlutaras e nem sequer as confortamos.

Antes não ir à fazer figuras destas que em nada convergem com o acto. Sejamos mais solidários, cultivemos o respeito, amor ao próximo e valorizemos cada momento segundo a sua especificidade.

Atentamente, Vicente Kanga Santos Neto (Vinetho)!

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