Ex-secretários provinciais da CASA-CE preferem ir presos que entregar património exigido pela direcção

Os ex-secretários provinciais da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA- CE) preferem ir para cadeia a entregar o património que o partido agora exige de volta, incluindo viaturas e computadores, alegando que trabalharam seis anos e oito meses sem os subsídios prometidos.

Foto: DR/Arquivo

Ao NJOnline, o ex-secretário provincial de Luanda, Alexandre Dias dos Santos “Libertador”, que se assume como porta-voz dos restantes, revelou que entraram na coligação a convite do ex-presidente, Abel Chivukuvuku como independentes e face aos desentendimentos existentes optaram por seguir o anterior líder e deixar a formação que agora é lidera por André Mendes de Carvalho.

“Alguns dos responsáveis que pertenciam aos partidos políticos recebiam trimestralmente um milhão e meio de Kwanzas, valor que os convidados de Abel Chivukuku, os que mais trabalharam para fortificar a coligação, não recebiam”, argumentou.

Segundo, Alexandre Dias dos Santos “Libertador”, depois de terem sido afastados, os 18 secretários provinciais intentaram uma acção judicial contra a nova direcção junto da Procuradoria Provincial de Luanda.

“A nova direcção e nós os afastados fomos notificados no dia 27 de Março para darmos alguns depoimentos, mas eles não compareceram”, informou o ex-secretário provincial de Luanda salientando que só entregam as viaturas se forem indemnizados e que se assim não for, preferem “ir presos”.

Reagindo às declarações de Alexandre Dias dos Santos “Libertador”, o responsável de finanças e património da CASA-CE, Alberto André Muanza, respondeu que “nenhum dirigente ganha salário dentro da coligação”.

“O próprio Libertador tem essa informação, desde a fundação da coligação e a sua legalização, nenhum dirigente recebeu salário. Ele recebia na qualidade de secretário provincial de Luanda uma verba para actividades partidárias e não para salários”, justificou.

A CASA-CE foi fundada em 2012 e é uma coligação de seis partidos políticos – Bloco Democrático (BD), Partido Pacífico Angolano (PPA), Partido Apoio para Democracia e Desenvolvimento de Angola – Aliança Patriótica (PADDA-AP), Partido Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), Partido Nacional de Salvação de Angola (PNSA) e Partido Democrático Popular de Aliança Nacional de Angola (PDP-ANA).

Nas primeiras eleições gerais em que participou, em 2012, a CASA-CE elegeu oito dos 220 deputados à Assembleia Nacional, face aos seis por sento de votos obtidos, a mesma percentagem conquistada nas presidenciais, em que Chivukuvuku ficou em terceiro lugar.

Nas últimas eleições gerais, realizadas em Agosto de 2017, a CASA-CE aumentou quase para o dobro a sua votação a nível nacional em termos nominais (639.789 votos – 9,45%), duplicando o número de deputados (16), com Abel Chivukuvuku, a manter o 3º lugar na corrida presidencial.

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