“Jarda” mata duas jovens e três carregam sequelas

Duas jovens perderam a vida em Luanda e três outras carregam actualmente sequelas irreversíveis, por terem tentado há dois anos, através de métodos impróprios, alterar partes do corpo como nádegas, ancas e pernas, com produtos químicos para ficarem mais avantajadas, revelou ao Jornal de Angola o cirurgião Renato Palma.

Especialistas aconselham a realização de exercícios físicos diários, ao invés de uso de anabolizantes para alterar os corpos
Fotografia: Kindala Manuel |Edições Novembro

O médico revelou que o Hospital Josina Machel, em Luanda, já registou vários casos de jovens do sexo feminino, entre 17 e 21 anos, que foram mal sucedidas ao submeterem-se a este processo, vulgarmente conhecido por “jarda”, conduzido por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre medicina e em locais impróprios.
“Elas foram incentivadas por amigas que supostamente haviam-se dado bem, mas, infelizmente, o mesmo não aconteceu com elas”, disse Renato Palma. Num dos casos, uma jovem chegou a morrer naquela unidade hospitalar, como consequência desse acto ilegal.
Renato Palma disse que a paciente começou primeiro por perder as nádegas, que já estavam apodrecidas, parte dos músculos da barriga e os órgãos genitais. “Ela começou por apodrecer, ficámos impossibilitados de salvá-la, porque chegou ao hospital num estado já muito avançado de debilidades físicas”, recordou.
O médico disse que “não faz sentido que as pessoas se submetam a esse processo, para terem algumas partes do corpo avantajado”, pois o corpo humano possui estruturas, que quando estimuladas com exercícios físicos, atingem os mesmos níveis produzidos por essas substâncias químicas que muitas mulheres estão a utilizar para terem as nádegas mais salientes.
Renato Palma alertou para o facto de a sociedade angolana estar a enfrentar uma crise de valores morais que, em seu entender, está a levar muitos jovens a aderirem a certas práticas negativas para conseguirem objectivos, sem medirem as consequências.
“De repente, criou-se a falsa ideia de que aquelas pessoas que aparentam estar bem fisicamente, são mais valiosas do que as que não o são”, frisou o médico que desaconselha o uso de qualquer substância anabolizante para desenvolver as nádegas, pernas ou outras partes do corpo. “Os resultados do uso incorrecto de suplementos anabolizantes são, a curto prazo, desastrosos e muitas vezes irreversíveis”, alertou o especialista em cirurgia plástica, para quem é falsa a informação, segundo a qual o efeito produzido por esses produtos, para o aumento das nádegas, é permanente.
Com o andar do tempo, “as nádegas das pessoas que usam inadvertidamente anabolizantes mudam de lugar, por causa do peso”, esclareceu o médico. Quando a pele humana começa a perder a sua consistência elástica normal, “a pessoa necessitará de uma intervenção cirúrgica para a sua relocalização ou mesmo remoção”.
Outro risco que as pessoas que se submetem a esse processo correm, segundo o médico, tem a ver com o mau uso da seringa por aqueles que aplicam essas injecções. Renato Palma advertiu que se for mal aplicada, ao ponto de apanhar uma veia, “o líquido pode viajar em forma de êmbolo até os rins, provocando depois problemas renais, respiratórios e ao coração, que pode provocar enfarte”.
“Em alguns casos, com tratamento envolvendo antibiótico, terapia e outras formas, consegue-se parar o processo, mas a pessoa não fica a mesma”, alertou.

Exercício físico

Leumira Abreu disse que, ao contrário daquelas que optam por vacinas, para terem as nádegas mais avantajadas, ela preferiu abraçar o exercício físico por acreditar que, por essa via, também é possível atingir os mesmos resultados. “Acho que o exercício físico ainda é a melhor via”, salientou.
Suzete da Silva é da mesma opinião. Em seu entender, as pessoas que optam pelo uso das injecções de anabolizantes “não sabem esperar, razão pela qual preferem este caminho, por ser mais rápido”. Esta jovem não tem dúvida que os exercícios físicos garantem a boa forma do corpo humano. Edna Salvador pratica exercício físico há quatro anos e nunca pensou em trocar de método para ter um corpo atraente. “Contento-me com o pouco que tenho”, salientou.
Cláudio Arlindo, que orienta exercícios físicos há quatro anos no CDUA, em Luanda, desaconselha as mulheres a submeterem-se ao processo de alteração corporal, por via do uso de anabolizantes, por serem na sua opinião prejudiciais à saúde. “O mais seguro mesmo é praticar exercícios físicos”, afirmou.

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