Em resposta à questão “Que nível de comunicação tem com José Eduardo dos Santos?”, colocada na conferência de imprensa encerrada há minutos na Cidade Alta, o Presidente da República adiantou que considera “normais” as relações que mantém com o seu antecessor.

Apesar de não ter esclarecido o grau de comunicação com o antigo Chefe de Estado, João Lourenço garantiu: “Não tenho motivos para não ter boas relações pessoais [com José Eduardo dos Santos”.

A pergunta foi apresentada em associação à polémica sobre os cofres vazios, lançada na entrevista que o Presidente da República concedeu, no passado mês de Novembro ao semanário português Expresso.

Na ocasião, João Lourenço afirmou que encontrou os cofres do Estado vazios quando tomou posse, declaração posteriormente rebatida por José Eduardo dos Santos, que garantiu ter deixado mais de 15 mil milhões de dólares nas contas do Banco Nacional de Angola (BNA).

Os números foram clarificados pelo titular do Poder Executivo, na conferência de imprensa desta manhã.

“Quando a gente fala em cofres do Estado estamos a nos referir à conta única do tesouro que não tem nada a ver com as reservas internacionais líquidas [a que JES se referia]”, clarificou o Presidente da República, acrescentando que “os ministros, membros da comissão económica vieram a público explicar precisamente isso”, referindo-se à conferência de imprensa concedida no final de Novembro.

João Lourenço salientou que “no discurso político há coisas que devem ser entendidas”, clarificando o sentido das suas declarações.

“Quando se diz que encontrei os cofres vazios ninguém está a querer dizer que encontrou zerados. Vazio não é sinónimo de zerado. Penso que este tipo de linguagem deve ser entendido”, disse o Presidente da República.

O Chefe de Estado reforçou que “não houve nenhum mistério no que foi dito”, e adiantou que “o que havia na conta única do tesouro não dava para pagar mais de cinco meses de salários da função pública”, e “apenas isso”.

Depois, prosseguiu o João Lourenço, “o país parava, não vivia, não fazia mais nada”.