Governo de Benguela afrouxa revolta das micro-operadoras de recolha de lixo

Mais de duas dezenas de micro-operadoras que se dedicam à recolha de lixo na periferia do município sede de Benguela ameaçaram, em Novembro, paralisar a sua actividade por alegada incapacidade financeira.



FONTE: OPAÍS


As micro-empresas reclamam que os 200 kwanzas comparticipados pelos cidadãos para a recolha porta- à-porta não satisfazem os custos inerentes à empreitada, uma vez que muitas delas não dispõem de meios próprios e, por isso, vêmse obrigados a alugar motos de três rodas, vulgo caleluya, e carrinhas para a recolha dos resíduos sólidos. Aliado a isto, está o facto de muitos dos cidadãos não honrarem os compromissos, facto que está a causar enormes constrangimentos. Segundo revelam, a actividade envolve custos elevadíssimos, designadamente técnicos e com o pessoal.

Recentemente, em declarações a uma rádio local, um dos operadores identificado apenas por António, apontou a subvenção por parte do Governo Provincial como solução para garantir a vitalidade das micro-operadoras, que em final de Novembro ameaçavam paralisar a actividade neste mês de Dezembro, não fosse o vice-governador para área técnica, Leopoldo Muhongo, se ter reunido com eles há dias, no salão nobre da Administração, e solicitado uma moratória de até pelo menos que se viva o período da quadra festiva. Por outro lado, o governante prometeu trabalho para se inverter o actual quadro, caracterizado pelos operadores como sendo preocupante. O Governo avançou a possibilidade de no próximo ano rever a taxa de comparticipação dos cidadãos para a recolha do lixo.

Entretanto, dias antes da reunião com os operadores, o administrador municipal de Benguela, Carlos Guardado, descartava qualquer possibilidade de se subvencionar a actividade e chegou mesmo a acusar alguns micro-operadores de serem “oportunistas”, por, alegadamente, terem aderido ao projecto na esperança de que viessem a ganhar aquilo que chama “algum dinheiro”. Cauteloso, o director provincial do Ambiente e Gestão de Resíduos Comunitários, Elmano Inácio, disse a OPAÍS que o Executivo vai continuar a dialogar com os operadores. Questionado se o novo modelo de recolha de lixo adoptado pelo Governo estaria a cumprir rigorosamente os objectivos para o qual foi concebido, não obstante as reclamações de alguns cidadãos, Elmano Inácio apenas diz “que as operadoras e os cidadãos estão em fase de adaptação”.

Não faltaram avisos ao Governo

Um técnico de gestão de resíduos da urbe benguelense disse a OPAÍS que, antes da entrada dos actuais operadores, o Governo tinha sido avisado de que estes não conseguiriam fazer face aos desafios, pelo facto de o negócio do lixo ser bastante oneroso. “Nós já tínhamos avisado que isso não iria dar certo”, disse o gestor. “O negócio do lixo só é bom se tu receberes”, afiança a fonte d´OPAÍS, que trabalhou durante muito tempo para uma empresa que prestava serviços de recolha de resíduos sólidos até o governo de Falcão resolver romper contratualmente com as operadoras por alegada incapacidade financeira do Executivo local. “Um camião para a recolha de lixo custa 58 milhões de Kwanzas e cada barca de lixo está 193 mil. As pessoas não tinham noção do quanto é que as empresas gastavam com o lixo aqui na cidade”, disse, concordando que muita gente entrou no negócio a pensar apenas no lucro, mas viu-se confrontada com várias situações desagradáves.

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