No «Fala Angola» de ontem, o apresentador Salú Gonçalves (SG), deu um mau exemplo de jornalismo deixando-se levar pelo sensacionalismo numa matéria que tinha tudo para brilhar. O «Baixinho da Zimbo», que é por natureza uma pessoa sanguínea e emotiva, não conseguiu controlar os ânimos e mandou às urtigas as regras básicas do jornalismo.
No que me pareceu um «furo jornalístico», o pivô da Zimbo denunciou um crime de peculato, no qual o antigo director do Hospital de Combate à Tripanossomíase (Doença do Sono) era acusado de ter desviado avultados fundos da referida unidade de saúde, assim como de ter feito negócios consigo mesmo.
Na peça, os trabalhadores entrevistados pela estação do Talatona denunciaram de viva voz uma série de supostos atropelos cometidos pelo dito director, cujo nome não foi revelado.
Pela voz de SG ficou-se a saber que o gestor em causa já foi afastado do cargo pela tutela há duas semanas. Disse que tinha feito vários esforços para ouvir a versão da nova directora nomeada para preencher o lugar, mas que a sua tentativa não fora bem-sucedida, porque esta encontrava-se «ausente do país».
Em nenhum momento da peça, o apresentador revelou que tinha tentado colher a versão do acusado, deixando transparecer que estava mais preocupado em ouvir a nova directora do que o seu predecessor…
No final, arrogando-se o papel de juiz, SG ditou a sentença dizendo que o suspeito merecia uma pesada pena de prisão para que não voltasse a cometer aquele género de crimes.
Caro Salú, sei que não tem sido fácil conseguires afastar as elevadas doses de emoção e sensacionalismo nos teus programas, mas há as normas do jornalismo, sobretudo o Direito ao Contraditório que devem ser respeitadas. Vai com calma, já tens a audiência conquista, pelo que não é preciso esticares tanto a corda…


POR: ILÍDIO MANUEL |FACEBOOK


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