A GOVERNADORA DO BENGO E OS IMPULSOS MEDIÁTICOS

A governadora do Bengo não perde a mínima oportunidade de aparecer na imprensa, sobretudo na TPA. Depois de Adriano Mendes de Carvalho, ela é, provavelmente, a governadora que mais aparece nos pequenos ecrãs. Não sei se o faz por iniciativa própria, ou por sugestão de quem cuida da sua imagem, o facto é que a governadora do Bengo gosta de aparecer. Às vezes, fica-se com a ideia que ela não dá espaço aos seus «vices» e que a província é governada por uma única pessoa. Se fosse nos EUA, seria «One woman, one show». Alguém viu por aí o «vices» daquela província?
Embora seja incapaz de resistir aos impulsos mediáticos, Maria Quiosa sabe, no entanto, seleccionar os acontecimentos onde ela pode capitalizar bem a sua imagem, colher os melhores dividendos das suas aparições públicas.
Ontem a TPA apresentou duas reportagens sobre a província do Bengo: a primeira exibia os «podres» de Caxito, após a queda das chuvas. Charcos de água, lama, ruas intransitáveis no centro da cidade e a lamúria dos habitantes que se queixavam do facto das obras de construção e reabilitação das vias levarem mais de dois anos de atraso. Esperava-se que fosse a governadora a dar o rosto para justificar o passivo que lá se verifica, acontece que no lugar de Mara Quiosa apareceu um dos directores do Governo local indicado pela governadora para «defender o indefensável»…
Na segunda reportagem, a televisão falava dos preparativos de uma Feira do Trabalho e das Profissões que, segundo os promotores da iniciativa, vai proporcionar 400 novos postos de trabalho no Bengo. Ai, sim, a governadora apareceu toda sorridente, feliz da vida, a felicitar a iniciativa e a capitalizar as atenções para o Governo que ela dirige.
Em tempos, vi a governadora a aparecer num acto de iluminação de uma das vias públicas de Caxito, mais concretamente de colocação e substituição de lâmpadas nos candeeiros públicos, algo que podia ser feito pelo responsável local da ENDE. Mas, Mara Quiosa quis ser ela a aparecer, a dar nas vistas, a brilhar na fotografia.
As constantes aparições da governadora do Bengo remetem-mos para um passado não muito distante em que os ministros reservavam para si os acontecimentos mais mediáticos, de maior impacto social, enquanto os «trabalhos sujos» eram destinados aos seus coadjutores…
No início do seu consulado, o TPE (Titular do Poder Executivo) recomendou aos seus auxiliares para que trabalhassem mais e falassem menos. Será que esta mensagem chegou a província mais próxima do nervo do poder?


POR: ILÍDIO MANUEL | FACEBOOK


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