Sobre este crescendo de casos trazidos a público através das redes sociais e, como o NJOnline ouviu de vários automobilistas de viva voz, o director de comunicação do Ministério do Interior, intendente Mateus Rodrigues, confirmou a existência de algumas queixas e garantiu que a maioria destes chegam ao conhecimento da PN através das redes sociais quando “deviam ser os cidadãos a fazerem queixa de viva voz” para permitir identificar os autores deste tipo de comportamento.

O oficial disse ao NJOnline que os automobilistas que passam por estas situações de extorsão devem procurar identificar os agentes em questão e proceder à sua denúncia.

Um dos casos que chegou ao conhecimento do NJOnline ocorreu na semana passada, na Mutamba, onde um automobilista, à noite, se viu coagido por quatro elementos da PN – brigadas motorizadas – armados, tendo-o obrigado a dirigir-se a um Multicaixa para levantar dinheiro, 50 mil kwanzas, sob ameaça de detenção pela alegada falta de um documento da viatura que o cidadão garante ter entregado ao agente que o abordou no primeiro contacto.

Mas as reclamações dos automobilistas surgem quase todos os dias nas redes sociais. Face a este cenário, que tem aumentado em número de denúncias nas últimas semanas, o NJOnline saiu à rua para ouvir alguns condutores que não mostraram receio de falar dos crimes praticados por agentes da PN, especialmente durante o período nocturno.

“Já passei por está situação na estrada da Samba”, recorda, o taxista Jorge Mendes, acrescentando que foi obrigado a pagar 10 mil Kwanzas aos agentes do Comando Municipal da Samba para o deixarem ir embora.

“No dia que passei por está situação, estava com todos os documentos completos, mesmo assim eles arranjaram uma artimanha para me complicar a vida”, disse.

José Monteiro de 53 anos, funcionário público, disse que isso já não é novidade, e que só lamenta o facto do Comando Geral da Polícia Nacional ignorar as denuncias feita pelos cidadãos.

“Já fui obrigado a tirar dinheiro no Multicaixa para satisfazer a vontade dos polícias. Neste dia fui abordado na via pública por uma patrulha da Policia de Intervenção Rápida (PIR), eu disse que não tinha dinheiro em mão, o chefe da patrulha me perguntou se tinha Multicaixa, eu disse que sim e eles me fizeram escolta até ao Multicaixa, fiz a operação e lhes entreguei 30 mil Kwanzas”, acusa.

O docente universitário Agnelo João contou ao NJOnline que foi perseguido por um carro da Unidade de Transito no momento em que saia do ponto final na ilha de Luanda.

“Os agentes nem sequer se faziam acompanhar do bafómetro para determinar o nível de álcool que eu possuía no sangue”, relata, acrescentando que um dos agentes da PN lhe disse para arranjar uma quantia em função do número de efectivos que havia no carro sob acusação de estar embriagado.

“Tive de pagar 40 mil Kwanzas, mas depois fui até à esquadra da Ingombota fazer queixa, já se passaram três meses e o caso não foi solucionado até hoje”, lamentou.

O director de comunicação do Ministério do Interior, intendente Mateus Rodrigues, sublinhando que existem algumas denúncias, garantiu que a maioria dos casos que chegam ao comando da PN é através das redes sociais.

“Temos sim algumas denúncias relativamente a casos de extorsão praticado por agente na via pública, estes casos registados têm investigações em curso”, afirmou, lamentando o facto de os automobilistas não denunciarem os agentes e oficiais que supostamente esteja envolvidos em actos de corrupção.

“Temos poucos registos destes casos, a maioria das vezes vimos a circular nas redes sociais, informações que dão conta de envolvimento de agentes e oficiais em acto de corrupção. Mas apelamos às pessoas para fazerem a denúncia”, aconselha.

No entanto, como explicou ao NJOnline um dos cidadãos, de nacionalidade brasileira, coagidos a entregar dinheiro aos elementos da PN, dificilmente se vai apresentar queixa com medo de eventuais futuras represálias.

“Depois de ser obrigado a deixar entrar dois homens armados no carro, com armas à vista, de noite, sendo obrigado a entregar o dinheiro que tinha na carteira e ainda ter de levantar mais 50 mil kwanzas num Multicaixa para lhes entregar, quem é que faz queixa? As pessoas têm medo, naturalmente…”, disse.