Funcionárias do hotel Moibela detidos por corrupção em Benguela

Familiares em desespero criticam Moisés Caluweio à porta das instalações do SIC Criminal

Nove funcionárias de um hotel do antigo chefe dos Recursos Humanos da Delegação Provincial do Interior em Benguela, Moisés Caloweio, detido há uma semana no Serviço de Investigação Criminal (SIC), foram levadas à cadeia do Cavaco, segunda-feira, 8, na sequência do processo em que o seu patrão é suspeito de crimes de peculato, revelou à VOA fonte dos serviços prisionais.

As senhoras fazem parte de um vasto grupo de trabalhadores privados que terão sido colocados na folha salarial do Ministério do Interior (Minint), com ordenados altíssimos, num esquema que começa a ser desmontado mais de dez anos depois de engendrado.

De acordo com fonte da investigação, o salário médio era de 500 mil kwanzas, o dobro, a título de exemplo, do rendimento de um director provincial e igual ao de um vice-governador.

Consideradas ‘’trabalhadoras fantasmas’’, com ordenados domiciliados no Banco de Poupança e Crédito, mais para a função pública, elas terão sido usadas para ajudar a engordar os cofres da empresa do ex-oficial superior, expulso da corporação há alguns anos.

Em teoria, diz a mesma fonte, ao destacar o facto de um dos funcionários ter colaborado com a justiça, o salário era 10 vezes superior ao de um agente hoteleiro, mas ninguém levava para a casa os quinhentos mil kwanzas, agora equivalentes a cerca de 1.700 dólares.

À porta do SIC, familiares das senhoras presas preventivamente manifestavam o seu desalento, ainda que Moisés Caloweio esteja a custear as despesas inerentes à defesa das mesmas.

‘’Disseram que o próprio Caloweio constituiu um advogado e está a tratar da alimentação dos trabalhadores. Mas nós, enquanto família, temos o nosso (advogado). De qualquer forma, é um cenário muito triste, o senhor não teve humanismo. Temos aí primas e vizinhos, é portanto, muita tristeza para um conjunto de famílias’’, desabafa o cidadão Geraldo Silva.

Apenas hoje, mais de 48 horas após o limite que a lei impõe para casos de detenções, o antigo oficial superior do Minint foi submetido ao interrogatório do Ministério Público.

O seu advogado, Artur Paulo Gabriel, que prestou a informação à VOA, preferiu não gravar entrevista, alegando segredo de justiça num processo em fase de instrução.


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