Zenú dos Santos está numa cela VIP na cadeia de São Paulo em Luanda

 José Filomeno dos Santos, ex-presidente do Fundo Soberano de Angola, está detido, desde segunda-feira «numa cela VIP da cadeia do hospital-prisão, à parte dos reclusos de delito comum».

Fonte: Lusa

Fontes dos serviços prisionais também indicaram à agência Lusa que o filho do antigo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, detido preventivamente sob a acusação de má gestão do fundo e de alegado envolvimento numa transferência ilícita de 500 milhões de dólares, está colocado no interior de uma vivenda existente na cadeia, «separada por grades da ala destinada aos restantes reclusos de delito comum e que a alimentação é-lhe fornecida diretamente pela família».

Segundo as mesmas fontes, «são procedimentos normais utilizados pelas altas personalidades que se encontram detidas preventivamente na cadeia de São Paulo», situada no distrito do Rangel, arredores de Luanda, e que tem capacidade para 270 reclusos, «estando praticamente cheia, mas não sobrelotada».

José Filomeno dos Santos ou Zenu, como é conhecido em Angola, «tem recebido visitas de familiares e de alguns amigos», acrescentaram as fontes, sem avançar com nomes, mesmo quando questionadas se Eduardo dos Santos iria visitá-lo.

Zenu é acusado, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana, de envolvimento num crime referente a uma alegada burla de 500 milhões de dólares, processo já remetido ao Tribunal Supremo, bem como, ainda em fase de instrução, num processo-crime relacionado com atos de má gestão do fundo, em que é também arguido o empresário suíço-angolano Jean-Claude Bastos de Morais, sócio de José Filomeno dos Santos em vários negócios, e que está também em prisão preventiva na cadeia de Viana.

Segundo a PGR, da prova recolhida nos autos, resultam indícios de que os arguidos incorreram na prática de vários crimes, entre eles, o de associação criminosa, recebimento indevido de vantagem, corrupção e participação económica em negócio, puníveis na Lei sobre a Criminalização das Infrações Subjacentes ao Branqueamento de Capitais, e os crimes de peculato e burla por defraudação, entre outros.

«Pela complexidade e gravidade dos factos, com vista a garantir a eficácia da investigação, na sequência dos interrogatórios realizados, o Ministério Público determinou a aplicação aos arguidos da medida de coação pessoal de prisão preventiva», adianta a PGR, salientando que a instrução «prossegue os seus trâmites legais, com caráter secreto».


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