Carlos Alberto foi durante dois anos director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial da Huíla da Policia Nacional (PN) e foi exonerado na sequência da polémica que envolveu um magistrado do Ministério Público e duas cidadãs que entraram numa peixaria propriedade do 2º subprocurador-geral da Republica.

Ao responder a perguntas dos jornalistas sobre o caso das duas mulheres que foram vítimas de agressões e depois detidas por ordem do subprocurador-geral, quando tentavam devolver peixe que não estava em conformidade e que haviam adquirido numa peixaria propriedade do magistrado, Carlos Alberto descreveu o sucedido conforme o que estava registado pela polícia.

Esse relato, que o próprio garante que só avançou porque foi o que a PN registou, levou-o a ser exonerado.

Em declarações ao NJOnline, o oficial da polícia explicou que o magistrado do MP enviou uma carta ao comissario Arnaldo Manuel Carlos, comandante provincial da PN na Huíla, a pedir a sua exoneração, e, para o seu espanto, viu que o comandante provincial considerou o pedido do subprocurador.

“A minha voz se calou junto da imprensa desde o dia 10 do mês passado por passar na imprensa o problema que (o magistrado) teve com as vendedoras ambulantes, mas é tudo uma uma cabala, até parece um filme”, disse, que devia, pelo contrário, ter recebido o apoio do comandante provincial porque se encontrava no exercício das suas funções.

O porta-voz fez saber ainda que está a ser indiciado pelo magistrado do Ministério Público na prática dos crimes de abuso no exercício de cargo, conduta indecorosa, injúrias contra as autoridades públicas e difamação.

“Não sabia que falar de um caso que envolve um procurador é crime” lamenta, salientando que nunca falou à imprensa nada que não conste do relatório da PN sobre esse assunto.

O NJOnline teve acesso a um comunicado de imprensa do Gabinete do Comandante Provincial da PN na Huíla que refere que Polícia Nacional não confirmou que o subprocurador terá feito justiça pelas próprias mãos, tal como é referido nos órgãos de comunicação social.

A nota diz ainda que o órgão do Ministério do Interior coube acorrer ao local dos factos no caso a “peixaria” e dissuadir a contenda que se estava a protagonizar entre as duas clientes contra a funcionária do referido estabelecimento.