Cerca de uma hora depois de ter sido aclamado como presidente do MPLA, com 98,59% dos votos dos delegados ao VI Congresso Extraordinário do partido no poder, João Lourenço efectou o seu primeiro discurso como número 1 dos “Camaradas”, no qual voltou a erguer a bandeira da luta contra a corrupção.

Depois de homenagear todos os seus antecessores na liderança do “Éme” – não apenas José Eduardo dos Santos e António Agostinho Neto, mas também os menos (ou nunca) referenciados Ilídio Tomé Alves Machado e Mário Pinto de Andrade -, o sucessor de José Eduardo dos Santos sublinhou que “só construiremos um futuro melhor se tivermos a coragem de realmente corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”.

Segundo João Lourenço, entre os males a corrigir destacam-se “a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade, que se implataram no nosso país nos últimos anos e que muitos danos causam à nossa economia” para além de afectarem a confiança dos investidores, minando a imagem e credibilidade do país.

“Estes males apontados aqui são o inimigo público número um, que temos o dever e obrigação de vencer”, sublinhou o também Presidente da República.

João Lourenço destacou igualmente que o MPLA deve assumir a dianteira desse combate, “mesmo que os primeiros a tombar sejam militantes ou mesmo altos dirigentes do partido, que tenham cometido crimes, ou que pelo seu comportamento social estejam a sujar o bom nome do partido”.

O novo líder dos “Camaradas” fez ainda questão de garantir que, nesse trabalho, nunca se irá confundir a classe empresarial que contribui para o país com honestidade, com aqueles que enriqueceram de forma fácil e ilícita, “à custa do erário público, que é património de todos os angolanos”.

O Chefe de Estado lembrou que o país se prepara para realizar as primeiras eleições autárquicas, momento que vê como um dos próximos grandes desafios.