João Lourenço não alinha em intrigas palacianas

Mahinajethu Nova Textang II e Alassala, assim se designam grupos empresariais que, entre outras personalidades e instituições, reúnem os cidadãos nacionais Joaquim David, Matos Cardoso e Luís Faceira. Seriam apenas mais algumas empresas, não fosse um substancial pormenor: estes grupos receberam, do Executivo angolano, um projecto globalmente avaliado em Mil e 200 Milhões de Dólares, cujos resultados esperam-se multiplicadores, no sentido positivo, para a criação de empregos, de uma maneira geral, para a revitalização de três importantes indústrias têxteis, em particular.


Óscar Bravo*


A concessão do projecto à gestão destes grupos liderados por tais individualidades mencionadas, não apenas constitui um sinal de confiança, como, sobretudo, representa a confirmação da capacidade empresarial do trio que a lidera. Trata-se, pois, de um projecto de elevada envergadura e complexidade, cuja implementação exige conhecimento técnico e, acima de tudo, um sentido apurado de gestão.

Por vários meses, anos até, uma corrente contrária foi inviabilizando a revitalização do sector, atrasando a criação de um número elevado de empregos, roubando, a muitas famílias angolanas, a garantia de um sustento digno.

O Ministério da Indústria, nomeadamente a sua titular, assim como o seu homólogo das Finanças, viram os seus entendimentos sobre a matéria amplamente questionados, em plena reunião do Conselho de Ministros, quando, recorrendo ao pragmatismo que lhe é característico, o Presidente da República, João Lourenço, reafirmou, afinal, aquilo que é mais lógico: “sendo esses os promotores que asseguraram a construção das fábricas deviam ter o direito à gestão das mesmas”.

Este foi, digamos, um autêntico soco no estômago de quem, nos tempos de outra senhora, não se coibiu de encetar iniciativas para transferir a gestão do sector têxtil angolano em benefício de quem não só entendia patavina como, como agravante, não esteve sequer envolvido na promoção do investimento através do qual foram reabilitadas e apetrechadas as fábricas. Faziam-no, ao abrigo de absoluto despudor, ao ponto de ter havido mesmo um despacho da Ministra da Indústria, Bernarda Martins, a determinar o encerramento, puro e simples, das fábricas sem qualquer preocupação com as consequências daí advindas, para a força de trabalho, para a dimensão dos investimentos realizados.

Ficou claro, em boa verdade, a intenção escondida de passar a gestão das fábricas, e de todo o negócio envolvente, a uma personalidade próxima do então poder dominante, nomeadamente, à empresária Isabel dos Santos, filha do anterior Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Mais grave do que isso, foi a intenção, velada mas revelada, do Ministro das Finanças, Archer Mangueira, de atribuir o controlo e gestão das três unidades industriais abrangidas no processo a um grupo de empresários estrangeiros de sua conveniência.

Felizmente, quem agora está no leme do País, não cai nestas cantigas, digamos de passagem, altamente lesivas aos interesses angolanos. João Manuel Gonçalves Lourenço decidiu, contra toda a pressão de coadjutores seus, confiar as três unidades aos grupos liderados por cidadãos nacionais, com bastantes créditos dados em matéria de gestão.  Joaquim Manuel David, antigo director geral da Sonangol, onde assumiu papel de destaque na implementação do processo de reforma da empresa, criando condições para o aumento substancial da produção nacional de petróleo, é um desses exemplos.



O nível actual de produção petrolífera, actualmente perto dos 2 milhões de barris por dia, tem indubitavelmente as suas impressões digitais, assim como o início do processo profundo de pesquisa e produção pela operadora nacional. No domínio da responsabilidade social, foi por sua obra e graça que a companhia desenvolveu uma ampla acção de concessão de bolsas de estudos sem precedentes na sua história. Disso resultou a formação de quadros que hoje actuam na alta esfera de decisão do País, quer no sector público como no sector empresarial, como são os exemplos de José de Lima Massano, actual governador do Banco Nacional de Angola e Luís Lelis, Presidente do Conselho de Administração do Banco Africano de Investimento (BAI), entre outros tantos quadros que dirigem a própria petrolífera de bandeira.

David conta, no seu vasto currículo, com passagens pelo Ministério da Indústria, após curto período pelo Ministério das Finanças. Na Indústria, promoveu uma ampla reestruturação que resultou na dinamização das indústrias de bebidas, cimento e assim como de têxteis que, infelizmente, neste último caso, só agora poderá arrancar em pleno.

Não menos destacado, entretanto, é o nome de Matos Cardoso, um jovem gestor angolano que, por muitas vezes, foi cotado para a liderança do Ministério da Indústria, dado o seu inegável talento, evidenciado durante o período em que revitalizou o mercado de realização de feiras comerciais, incrementando-as de três para 13. Na sua passagem pela FIL, de que foi Presidente do Conselho de Administração, elevou o mercado a patamares nunca antes atingidos em Angola, tanto a nível nacional como internacional. Foi, entretanto, vítima de intrigas, de calúnias e de males-entendidos, muitas das quais inviabilizaram a presença do anterior Presidente da República nas diferentes feiras organizadas, mesmo nos casos em que a sua presença era exigida para, ao menos, acompanhar os dignatários internacionais, como Aníbal Cavaco Silva, Presidente de Portugal, Cristina Kristner, antiga presidente da Argentina, entre outros tantos nomes de valor internacional. Diga-se, grande parte dessa ausência teria, como pedra de toque, a influência de Maria Luísa Abrantes, antiga Presidente do Conselho de Administração da extinta Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), manifestamente enciumada pelo protagonismo do jovem gestor e das implicações do seu trabalho na captação de investimento estrangeiro para Angola.

No rol de detractores, estão, ainda, a antiga ministra do Comércio, Rosa Pacavira, cujos apetites, pelo recinto FILDA, foram travados pelo relatório de uma comissão, coordenada pelo Ministério da Economia do então titular Abraão Gourgel, segundo a qual a gestão da FIL tinha cumprido, acima da média, com todas as obrigações estabelecidas no contrato rubricado com o Estado angolano. Amarrado, o coro de detractores não cruzou os braços. Usou a sua influência sobre o anterior Presidente da República, levando-o a adoptar, na impossibilidade de rescindir o contrato, um conjunto de mecanismos legais que inviabilizaram por completo a gestão da empresa, levando-a a sucumbir até ao estágio dantesco actual.

Matos Cardoso, enveredou, por fim, para os negócios financeiros e industriais, alcançando, hoje por hoje, bastante sucesso no sector dos seguros, vendo agora o seu talento reconhecido com a validação, pelo Presidente João Lourenço, do contrato que o transformou no novo gestor da Satec, uma unidade avaliada em mais de 450 milhões de dólares.

General Luís Faceira é, simplesmente, um dos maiores produtores agrícolas do País, senão mesmo o maior. O único que até ao momento experimentou cultivar algodão em território nacional depois da Independência. Dos mais conceituados logísticos das Forças Armadas Angolanas (FAA), tem hoje se destacado na esfera empresarial, sendo evidenciou o seu o espírito empreendedor. Sob o seu punho, foram erguidos vários negócios com sucesso, dentre os quais a Agrolíder, simplesmente o maior fornecedor de produtos agrícolas aos supermercados e ao sector hoteleiro. Faceira é um exemplo inequívoco de que as Forças Armadas podem, também, formar gestores empresariais competentes.

Durante muito tempo, houve gente que procurou sustentar-se, nos cargos que ocupavam, através da obediência cega e de práticas de adulação, sem levar em conta a competência técnica e a eficiência da gestão. Isso levou à perseguição e o ostracismo de quadros capazes, com capacidade para contribuírem para o desenvolvimento do País. Muitos mostraram-se resistentes, sendo de destacar, entre outros, os exemplos de Edeltrudes Costa, hoje Ministro e Director do Gabinete do Presidente da República, ou de  Carlos Alberto Lopes, actual Presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola. José de Lima Massano, Governador do Banco Nacional de Angola e António Henriques da Silva, Presidente do Conselho de Administração da Zona Económica Especial, são apenas mais alguns dos muitos exemplos.

Fica cada vez mais evidente que a actual governação do País, encabeçada por João Manuel Gonçalves Lourenço, abomina as práticas anteriores que, muitas vezes, privilegiavam a intriga e a perseguição puras, em verdadeiro desprimor pela competência. Começa a verificar-se uma aposta no mérito, o que, por si só, vai permitir que os talentos se multipliquem e que sejam colocados dos lugares adequados, contribuindo, assim, e em pleno, para o desenvolvimento do País.  Em 11 meses, a actual gestão do País, não fez tudo, é claro, mas está, de facto, a criar as bases para que o desenvolvimento não seja apenas mais uma miragem.


*Gestor

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