Setenta óbitos por semana na Maternidade do Bengo

Perto de 70 crianças morrem semanalmente na maternidade do Hospital Geral do Bengo por insuficiência de meios. Mas parte destes óbitos deve-se ao mau acompanhamento do pré-natal das senhoras, processo que permitiria a identificação das situações difíceis antes do parto, soube o Correio Angolense de fontes ligadas àquela unidade hospitalar.

“O registo de morte na nossa materidade é de dez crianças por dia, totalizando 70 óbitos por semana. É uma situação que está a preocupar imenso o corpo de enfermeiros que se vêem, frequentemente, de braços atados por falta de meios para acudir aquelas questões delicadas”, desabafou Inês Zongo, uma das parteiras.


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Indica que as autoridades sanitárias da província sabem do que se passa no hospital mas nada fazem para resolver a situação de muitas jovens mulheres que procuram os serviços da maternidade.

Um pediatra cubano identificado por Ramon, que aceitou falar ao CA, diz estar assustado com o número de mortalidade neonatal que se regista na maternidade do Hospital Províncial do Bengo. Considera grave a situação e apela o governo local a reverter o problema.

“Já não se pode admitir que crianças morram porque o hospital não possui equipamento para situações de partos de risco. Espero que equipem o hospital para evitar mais mortes de crianças no Bengo”, apelou o médico expatriado ao serviço da maternidade daquele hospital.

Elzira Matias, outra parteira, corrobora com o ponto de vista do médico cubano e apela também para o apetrachamento da unidade para se evitar mais mortes de crianças. Para ela, a maioria dos partos que correm bem são os que não requerem intervenções cirúrgicas. Os casos de cesarianas implicam risco imediato por falta de meios para situações de hemorragia intensa ou de parturientes com malária.

Essa parteira informa, por outro lado, que não obstante a já de si fraca capacidade de atendimento daquela maternidade, ela tem sido obrigada a atender pacientes que vêm do município de Cacuaco, nas redondezas de Luanda.

Com uma capacidade de internamento para 50 camas, a maternidade do Hospital Geral do Bengo é assegurada por um corpo clínico de mais de 30 parteiras e quatro ginecologistas-obstetras.

Foi malsucedido o esforço do repórter para obter o ponto de vista dos responsáveis do hospital.

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