Novo atentado à dignidade dos benguelense

Por decisão do Tribunal de Benguela, o Museu Nacional de Arqueologia está neste momento a ser despejado das suas próprias instalações, um edifício do final do século 18, pertencente à então Açucareira 1º de Maio e com um longo historial, tendo inclusive servido de senado no tempo colonial, até ser alugado à produtora de açúcar.
De acordo com o que foi possível apurar, apesar da arrogância demostrada pelos oficiais de Justiça mandatados que pretenderam impedir que fotografássemos o acto, a decisão resulta de uma sentença à favor de uma senhora, viúva de um ex-funcionário da Açucareira, que, alegadamente, terá comprado o edifício de madeira e ferro de dois andares ao Estado, num processo que está a ser considerado pelos trabalhadores do Museu como INCRÍVEL.
É que esse edifício emblemático, situado entre o edifício central do Museu de Arqueologia, a Praia Morena e o Núcleo de Deputados da Assembleia Nacional, foi confiscado pelo Estado angolano nos anos 70 e está protegido por gozar do estatuto de PATRIMÓNIO CLASSIFICADO.
Por outro lado, os funcionários argumentam que a documentação apresentada pela herdeira do provável ‘novo dono’ são duvidosos, porque podem incorrer em crime grave de eventual falsificação da assinatura de um governante, porque fazem referência ao então governador Armando da Cruz, numa altura em que nem sequer se cogitava o seu nome para a governação de Benguela.
Os trabalhadores do Museu estão igualmente revoltados com a postura quer do então diriector provincial da Cultura, Mário Kagibanga quer com o actual director do Museu, Valongo, pelo simples facto de não terem movido uma ‘palha’ em defesa desse património histórico.
O edifício foi vedado em Janeiro, na sequência de uma notificação do Tribunal entregue ao grupo de jovens do Núcleo de Pintores que ocupava parte das instalações, no rés-de-chão, que de seguida deram conta do facto ao director do Museu, que em vez de tomar à peito à questão, orientou aos ‘miúdos’ para que fossem responder, mesmo não sendo representantes legais do Estado para o fazer.
Informações que obtivemos no local, a pretensão da ‘nova proprietária’ é de deitar abaixo esse edifício para, com a comparticipação de parceiros, dar lugar à um outro edifício moderno.
Recordamos que, também nesta infraestrutura funcionou uma representação da Alliance Francesa.


Por: Ramiro Aleixo |Facebook


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