A referida greve desencadeou-se devido ao insucesso das negociações entre a Comissão Sindical e a direção da empresa em reuniões realizadas de 18 a 20 de Abril último, disse ao Novo Jornal Online o porta-voz da Comissão Sindical.

Costa Santos afirmou que na origem da greve estão a assimetria salarial (funcionários com as mesmas categorias e igual tempo de serviço ganham salários diferentes), e as más condições de trabalho.

Segundo o sindicalista, o caderno reivindicativo foi entregue a 15 de Janeiro e a 9 de Março, tendo resultado numa reunião entre a direcção da empresa e a comissão sindical, nos dias 18, 19 e 20 de Abril, “para ampla discussão das questões apresentadas pela parte reivindicadora, “porém não encontraram as soluções esperadas pelos trabalhadores”.

Costa Santos salientou que a Movicel já foi em tempos uma das 10 melhores empresas para se trabalhar em Angola, e diz também que é hoje uma das piores empresas para se trabalhar.

“Até ar-condicionado nas lojas não funcionam e os funcionários tem que usar guardanapos de papel para trabalharem”, declarou.

Já Paulo Abreu director de recursos humano da Movicel disse ao Novo Jornal Online não intender a comissão sindical da empresa e acusa-a de falta de seriedade.

“Tivemos uma negociação com a comissão sindical nos dias 18, 19 e 20 de Abril, foram três dias de negociação, portanto desta negociação resultou uma acta que foi assinada pelos representantes de ambas as partes”, adiantou.

“O sindicato integrou 14 pontos, e de acordo com a acta, para 13 pontos conseguimos encontrar uma solução. Apenas um ponto que ficou em aberto, que tem a ver com o aumento salarial de 75% a nível da base salarial da empresa e o aumento do subsídio de alimentação e de transportes”, disse, acrescentando que “a Movicel paga diariamente todos os colaboradores 2.400 kz de subsídio de alimentação e 1200 kz de subsídio de transportes”.

“O sindicato exige que a empresa deve pagar 5000 kz diário de subsídio de alimentação e 4000 kz dia de subsídio de transportes. Feitas as contas estamos a falar de um adicional, só em subsídio de alimentação e transportes, na ordem dos 198 mil kz mês, isso sem contar o salário básico que o trabalhador recebe”, descreveu.

O director de recursos humanos da Movicel considera que o sindicato de trabalhadores não está a ser sério com os acordos que rubricou no dia 20 de Abril e julga que esta agir de ma fé.

Entretanto, Costa Santos, porta-voz da comissão sindical, afirmou ao Novo Jornal Online que a Movicel comprometeu-se em resolver, junto do sindicato, 98% do que foi acordado, porque reconhece que há condições de trabalho que estão aquém do desejado, garantindo que o protesto só termina quando for cumprida a exigência.

Face a isto, o responsável dos RH da Movicel volta a carga e diz que “o sindicado desrespeitou os acordos feitos e avança para uma declaração de greve desconsiderando aquilo que antes assinou. Temos que fazer uma reflexão profunda a isso, pois a greve é um assunto sério”.

De referir que a greve que hoje teve início abrange maioritariamente funcionários das áreas técnicas e administrativas da Movicel, sendo que as lojas continuaram a funcionar de forma normal segundo constatou hoje o Novo Jornal Online durante uma ronda efetuada nas agências do Chamavo, nos hipermercados Kero e no Largo do ambiente.