As informações, ainda muito escassas, estão a ser veiculadas através das redes sociais.

Apesar de se autointitular “pai da democracia moçambicana”, e para muitos simpatizantes ser o “Mandela ou Obama moçambicano”, Afonso Dhlakama era igualmente visto como um “senhor da guerra”.

Primeiro, moveu uma guerrilha contra o Governo da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), com o apoio, que várias vezes assumiu publicamente, do apartheid, até 1992, ano do Acordo Geral de Paz (AGP), que encerrou 16 anos de guerra civil.

Todavia, o principal partido da oposição mantém um contingente armado que já se envolveu em vários ciclos de violência com as forças governamentais, principalmente após eleições.

Há poucos dias, a 17 de abril, o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, confirmou que o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) estavam a finalizar um acordo para o desarmamento, desmobilização e reintegração dos seus combatentes nas forças de segurança.

“Conseguimos encetar um diálogo com o presidente da Renamo e através de contactos temos estado a construir confiança mútua, que até ao momento ajudou o nosso país a parar com a violência, mesmo que tenha sido localizada”, disse à data Nyusi.

Entre o afável e o incendiário, Dhlakama era uma figura controversa. “Se não gostarem de mim, depois de cinco anos, podem-me mandar embora, porque não vou matar ninguém”, disse o líder da Renamo num comício no centro do país em 2014, respondendo desta forma aos críticos que o acusavam de recorrer à violência para fazer vingar os seus pontos de vista na política de se comportar como “dono” da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que dirigia desde os 23 anos.