Ministra da Educação culpa professores pelo fracasso da monodocência

O modelo de distribuição actualmente adoptado pelos municípios, não satisfaz os agentes da educação no país que anseiam por melhorias na entrega deste bem às crianças, e a confederação dos sindicatos aponta a má gestão e o aproveitamento para outros fins

Texto de: Milton Manaça

Os participantes no Encontro Nacional da Educação (ENE) que ontem terminou em Luanda, querem ver a gestão da merenda escolar gizada pelos gabinetes provinciais da Educação, por considerarem que muitas crianças não têm beneficiado deste bem imprescindível no processo de ensino e aprendizagem nas escolas do país.

Para os directores dos gabinetes provinciais da Educação, esta medida contribuiria para melhorar a distribuição de lanches às crianças, atendendo que nem todas as escolas espalhadas pelo país beneficiam deste bem e imputam falhas aos gestores do projecto. Actualmente, a política de distribuição de merenda escolar está sob alçada das administrações municipais, o que não tem trazido os benefícios que dela se esperava, segundo os interlocutores.

Miguel Kasavubu, director da Educação do Cuando Cubango, realça que quem melhor conhece as necessidades das escolas são os representantes da Educação na província, pelo que, sugere que sejam os gabinetes provinciais a responsabilizarem-se pelas merendas.

Quem também se mostrou favorável à transferência da gestão da merenda dos municípios para os gabinetes províncias foi o vice- presidente da Federação dos Sindicatos da Educação de Angola, Adriano dos Santos, que realça que a distribuição não tem sido justa. Adriano dos Santos afirma que “tem havido má gestão por parte das administrações municipais que não fazem chegar os produtos a todas as escolas”, referiu.

O sindicalista apontou também que muitos elementos envolvidos no projecto têm dado outros fins aos lanches das crianças, ora levando-os para as suas residências, ou comercializando-os. Numa fase mais adiantada, os participantes no Encontro Nacional da Educação recomendaram que as escolas tenham autonomia financeira e sejam elas a gizar as políticas de merenda, material didáctico e outros meios escolares.

Na óptica dos participantes, o uso de produtos agrícolas locais pode ser a saída em muitas localidades do país que neste momento se debatem com o problema. Pelo Ministério da Educação, OPAÍS ouviu o director-geral do Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação, Isaac Paxe, para quem a problemática da merenda escolar está a ser discutida com o envolvimento dos outros parceiros, visando encontrar a melhor solução. Isaac Paxe considera que a questão da merenda escolar deve ser estudada “caso a caso”, tendo em conta a heterogeneidade do país, e garante que a situação está a ser solucionada aos poucos.

Monodocência

Desde que foi implementada, em 2002, a reforma educativa tem causado acesos debates, havendo até professores que estejam a pedir a sua “reforma” imediata, principalmente em virtude da monodocência. Os participantes no ENE afirmam que ainda não se criaram as condições para a sua implementação e os resultados não têm sido satisfatórios.

A inserção de professores formados em magistérios primários e a abertura de mais salas de aulas com apenas 35 alunos continuam a ser as premissas necessárias para o êxito do programa. No discurso de encerramento, a ministra da Educação, Maria Cândida Teixeira, considerou que o ENE permitiu uma análise do estado actual da educação e ensino no país, e a tomada de decisões rumo a um sistema cada vez mais inclusivo e de qualidade para o desenvolvimento das comunidades.

Cândida Teixeira augurou que as conclusões e recomendações produzidas se traduzam em resultados concretos e palpáveis para a melhoria do sector.

O ENE decorreu entre 6 e 9 deste mês e contou com a participação de responsáveis da Educação das 18 províncias do país, que recomendaram que o encontro tenha lugar de dois em dois anos.

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