Governador de Benguela teme que filhos ‘’roubem mais’’ do que os pais

Num novo apelo à luta contra a corrupção, numa altura em que o perdão no repatriamento de capitais domiciliados no estrangeiro divide opiniões, o governador provincial de Benguela, Rui Falcão Pinto de Andrade, considera que os dirigentes devem assumir a dianteira na denúncia dos roubos que afectam a sociedade angolana.

Falcão, membro do Bureau Político e primeiro secretário do MPLA na província, revela que os filhos de quem mexe no erário público quererão ‘’roubar mais’’ do que os pais na luta pela sobrevivência.

Ao discursar no Conselho do Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade no Género, o governador lembrou que os recursos à disposição de membros do Governo devem estar ao serviço das missões para as quais foram nomeados.

“Se o nosso filho olha para nós e vê um mau exemplo, sabendo que o pai roubou aqui e ali, mexeu onde não devia, então vai interiorizar que ele para sobreviver tem de roubar mais do que o pai. Portanto, temos de ser nós próprios, de forma coerente a denunciar maus comportamentos, com ligações directas na educação deles. A sociedade não pode continuar impassível face a determinado tipo de comportamento’’, alerta Rui Falcão.


Adalberto Costa Júnior
Adalberto Costa Júnior

Esta mesma sociedade, em função do momento, analisa os prós e os contras das propostas de lei sobre o repatriamento de capitais conseguidos ilicitamente, mormente em relação a um perdão para quem abrace a iniciativa.

A UNITA, por intermédio do deputado Adalberto Costa Júnior, vem a público denunciar uma estratégia para ofuscar o seu Regime Extraordinário de Regulação Patrimonial, que não prevê amnistia

“Não estamos a fazer proposta de nenhum perdão aos crimes de peculato (desvios de bens do Estado), de maneira nenhuma. Estamos, isto sim, a fazer uma proposta para os casos de desvios que não estão envolvidos na amnistia, é por aqui que começa a nossa proposta. Sinto que mesmo as instituições públicas não divulgaram a proposta da UNITA como fizeram com a do Executivo’’, denuncia o líder parlamentar do principal partido da oposição.


Júlia Ornelas
Júlia Ornelas

Enquanto se aguarda pela chegada dos activos financeiros no exterior, internamente, por ocasião da jornada da legalidade da Procuradoria-geral da República, muito se fala sobre a escassez de magistrados face à demanda processual.

A deputada pelo MPLA Júlia Ornelas, presidente da primeira comissão da Assembleia Nacional, que trata de assuntos jurídicos e constitucionais, não olha para a impunidade como reflexo directo desta insuficiência, mas diz que é preciso alterar o rumo dos acontecimentos.

“A análise não pode ser feita assim desta maneira tão crua.Estamos para ouvir os magistrados, para sabermos qual o número necessário. Há esforço para que se implemente a nova estrutura orgânica para o funcionamento dos tribunais, é o que temos ouvido do novo presidente do Tribunal Supremo’’, sustenta a deputada do partido maioritário.

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