Os planos do Governo angolano de pedir mais 15,5 mil milhões de dólares de empréstimo à China constam de uma nota enviada aos investidores, a propósito de uma nova emissão de dívida pública.

De acordo com essa informação, o crédito chinês será disponibilizado através de duas instituições financeiras: o Banco Internacional e Comercial da China, de onde sairá a maior fatia, no valor de 13 mil milhões de dólares; e o Banco Chinês de Export-Import, que cederá os restantes 2,5 mil milhões de dólares.

Neste segundo caso, o dinheiro permitirá financiar a construção da estrada da Corimba, obra orçada em 690,2 milhões de dólares; o sistema de transporte de electricidade da Barragem de Luachimo, na província da Lunda-Norte, despesa estimada em 760,4 milhões de dólares; e a edificação da futura Academia Naval de Kalunga, Porto Amboim, avaliada em 1,1 mil milhões de dólares.

Já a verba proveniente do Banco Internacional e Comercial da China prevê custear gastos com a construção do futuro aeroporto de Luanda, calculados em 1,28 mil milhões de dólares.

Finalmente, os restantes 11,7 mil milhões de dólares serão canalizados para uma linha de crédito, destinada ao financiamento de outros projectos.

Com este empréstimo, a dívida de Angola à China, que entre 2000 e 2014 ascendeu a 16,6 mil milhões de dólares, prepara-se para sofrer um novo agravamento.

Crédito chinês produz benefício para destinatários

Segundo a unidade de investigação AidData, da universidade norte-americana William & Mary, nesses 15 anos o país tornou-se o 3.º maior destinatário do financiamento chinês.

De acordo com a pesquisa, inédita por quantificar com detalhe os empréstimos e doações efectuados por Pequim além-fronteiras, a China estava – em 2014 – a 40,2 mil milhões de dólares de igualar os EUA na lista de principal fonte de financiamento dos países em desenvolvimento.

“Ao nível mais alto, pode-se dizer que os EUA e a China são agora rivais nos gastos, no que toca às suas transferências financeiras para outros países”, escrevia, em Outubro do ano passado, o director executivo da AidData, Bradley C. Parks, citado pela agência Lusa.

De acordo com o responsável, a maioria do maioria do financiamento chinês parece servir o crédito à exportação e outros critérios que visam promover os objectivos chineses, mas produzem pouco benefício nos países destinatários.

“A maior fatia do financiamento não visa permitir um crescimento económico significante para os países receptores”, afirmava Bradley C. Parks, acrescentando ainda que os beneficiários são países que votam alinhados com Pequim nas Nações Unidas.

Os dados divulgados pela AidData resultaram de cinco anos de investigação, que envolveram 100 investigadores e assistentes e 15.000 fontes de informação, incluindo 4.300 projectos desenvolvidos em 140 países e territórios.