“Como forma de demonstrar a insatisfação dos professores pela não aprovação do Estatuto da Carreira Docente, bem como rejeitar a estratégia do Ministério da Educação, de priorizar o concurso público de admissão de novos professores em detrimento da actualização de categorias dos professores em serviço”, o SINPROF decidiu “retomar a greve nacional por tempo indeterminado (interpolada), paralisando as aulas em todo território nacional, de 9 a 27 de Abril de 2018”.

O aviso de greve consta de um comunicado distribuído na última sexta-feira, no final de uma reunião presidida pelo presidente dos sindicato, Guilherme Silva, após consulta aos professores em assembleias de trabalhadores realizadas em todo país e depois de ouvidos os secretários gerais provinciais.

Segundo a mensagem, à qual o Novo Jornal Online teve acesso, “caso o Executivo não aprove o Estatuto da Carreira Docente e continuar intransigente na resolução dos fundamentos da Greve, os professores voltarão a paralisar as aulas em Junho de 2018”.

A contestação dos professores, lê-se ainda no comunicado, retoma uma greve interrompida há cerca de um ano.

De acordo com o presidente do SINPROF, que falou ao Novo Jornal Online no mês passado, sobre os planos de greve, há “falta de vontade por parte do Executivo para resolver os pendentes do sector, em especial a aprovação do estatuto da carreira docente e sua consequente implementação”.

“O projecto ainda nem sequer foi remetido à Assembleia Nacional” adiantou na altura o sindicalista, referindo ainda que “a intenção do Governo é a de apenas promover os professores mediante as vagas existentes no Sistema Educativo”.

Guilherme Silva, que confessa que este “é o primeiro motivo de discórdia com o Executivo”, lembra que o sindicato defende a actualização das carreiras.

“Estamos a ser empurrados para a greve, referiu também o responsável.

“Somos a favor da contratação de professores mas deve ser priorizada a actualização das categorias daqueles que já exercem a profissão há anos e nunca tiveram a sua situação revista. Há professores a receber 49 mil kwanzas”, afirma Guilherme Silva, que apelou aos professores para que sejam “mais uma vez corajosos” e se unam por “condições dignas de trabalho”.

“De promessas estamos fartos, agora só as acções nos convencem”, concluía o presidente do SINPROF nas declarações prestadas ao Novo Jornal Online.

De lembrar que o ano lectivo de 2017 foi marcado por dois períodos de greve, de vários dias, com forte adesão dos professores. Em causa estava o pagamento de subsídios e actualizações salariais.