Taxista morto pelo colega por causa de um retrovisor

Manuel da Dores Patrício, de 32 anos, perdeu a vida, após ser-lhe desferido um golpe, com faca de cozinha, na caixa torácica, durante uma discussão, resultante da quebra de um retrovisor.

O facto aconteceu no município do Cazenga, na Avenida Hojiya- Henda, perto do conhecido Mercado do Arreou, quando Manuel Patrício, taxista, que conduzia uma viatura de marca Hiace, modelo L200, fez uma ultrapassagem ao seu colega, que conduzia um Hiace “quadradinho”, tendo com isso danificado o retrovisor deste. “Era uma questão de nos entendermos, pois um retrovisor de quadradinho, não custa mais de 1500 Kz, e eu estava em condições de pagar”, disse, Fidel Chumbo Tito, o jovem que exercia a função de cobrador no táxi de Manuel. Desceram do “quadradinho”, para além do motorista, o cobrador, que partiram para a discussão. A vítima apenas decidiu fazer ultrapassagem porque a viatura do acusado estava parada, pelo que não descontou o suficiente ao ponto de poupar o retrovisor. Entretanto, a discussão surge também pelo facto de, no momento em que Manuel decide fazer a ultrapassagem, o colega sai da sua faixa. Um dizia que encontrou o outro, e o outro dizia o contrário.

Fidel Chumbo, ao ver que não se entendiam, já que os dois motoristas diziam que estavam com a razão, e o outro grupo de colegas partiu para a agressão, tendo um deles apresentado uma faca na mão, decidiu ausentar- se, em busca de ajuda da polícia junto da esquadra mais próxima. Tão logo deu as costas, após ter percorrido aproximadamente 100 metros, e porque a população acompanhava toda a discussão, recebe a informação de que o seu colega tinha sido esfaqueado. Regressou com dois polícias que estavam no giro e encontrou Manuel no chão, depois de perder muito sangue, já sem vida. Além do golpe fatal na região do tórax, a vítima também foi agredida com pau, segundo o nosso entrevistado. Entretanto, alguns dos populares, uma vez que a área é muito movimentada, tentaram acudir, mais a raiva dos “homens do quadradinho” era tanta que não largaram Manuel sem que perdesse a vida.

Detidos os supostos agressores

“A faca era comprida e lá, na casa mortuária, tive a oportunidade de ver. Dada a profundidade, não se tem dúvida que a facada foi dada com intenção de matar”, disse, Garcia Mendes, irmão da vítima. Os três indivíduos tentaram fugir, mas a população foi mais rápida e os deteve. Neste momento encontram- se detidos na Esquadra do Hoji-ya-Henda, pertencente a 3ª Divisão, Cazenga. Manuel das Dores Patrício, ou Dodó, como carinhosamente é conhecido, deixa duas viúvas e cinco filhos, exercia a actividade de táxi para sustento da mesma, há sete anos, e, no bairro Patrício, no Cazenga, sempre foi visto pelos vizinhos como humilde e batalhador. O carro, L200, não lhe pertence, foi-lhe dado por empréstimo (ou dado ‘falida’, na linguagem dos taxistas) por um vizinho-amigo.

No local do crime, a preocupação de muitos taxistas são as STAFF (grupos supostamente organizado destes profissionais) que, em determinada altura têm-se sentido “dos donos da via”. A preocupação surge também pelo facto de o motorista do “quadradinho” pertencer a uma destas STAFF’s que comportam-se de tal forma. Pedem a intervenção da polícia porque, além do distúrbio que causam na via, têm contribuindo para o desvio comportamental de muitas jovens da zona do Hoji-ya-Henda, bem como a colocação de muitos cidadãos, sem terem passado em escolas de condução, a trabalhar como motorista, só com o verbete ou guia que conseguem de forma ilegal. Os taxistas apontam a avenida do Hoji-ya-Henda como sendo a que mais STAFF de taxistas tem. Lembra que houve uma vez que morreu um polícia e membros destas organizações festejavam na estrada, tirando a roupa e fazendo racha, ao ponto de congestionar o trânsito na zona, por largos minutos.

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