Presidente Russo anuncia míssil “invencível” em vésperas de eleições

No discurso anual perante o Parlamento, o Presidente russo anunciou o desenvolvimento de um novo míssil balístico intercontinental capaz de alcançar “praticamente qualquer parte do mundo”. A dezassete dias das eleições presidenciais, Vladimir Putin é o grande favorito à vitória e deverá alcançar o quarto mandato como Presidente.

Ausente da campanha e do debate televisivo entre os candidatos às eleições presidenciais de 18 de março, o atual Presidente fez esta quinta-feira o discurso anual perante a Assembleia Federal da Rússia, onde explicou que o desenvolvimento de novas armas no arsenal militar russo são a resposta à retirada dos Estados Unidos, em 2002, do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, assinado em 1972 com a União Soviética.  
“Não ouviram o nosso país naquela altura. Oiçam-nos agora”, disse o Presidente, garantindo que algumas das novas armas já foram testadas no final do ano de 2017.

Numa sessão solene transmitida pela televisão onde se juntaram as duas câmaras do Parlamento, o grande destaque foi mesmo para a apresentação do novo míssil intercontinental, que seria “dificilmente intercetado” por escudos antimísseis e que consegue alcançar “praticamente qualquer parte do mundo”, segundo referiu Vladimir Putin.

Trata-se, segundo o Presidente, de um “míssil de cruzeiro de baixo voo, (…) de voo imprevisível, que pode ignorar as linhas de interceção, e é invencível perante os vários sistemas de defesa antimíssil e defesa antiaérea”.

Vladimir Putin anunciou também o desenvolvimento de um novo drone subaquático capaz de transportar ogivas nucleares. As duas novas joias do arsenal russo foram reveladas pelo Presidente com recurso a apresentações de vídeo.
Resposta a ataque nuclear “imediata”
O líder russo mencionou a nova postura nuclear dos Estados Unidos no discurso perante o Parlamento e avisou que, não obstante o poderio militar da Rússia servir sobretudo para assegurar a paz e a estabilidade no mundo, qualquer ataque com armas nucleares contra a Rússia e os seus aliados teria retaliação “imediata”.

“Estamos muito preocupados com algumas partes da nova postura nuclear (dos Estados Unidos), que diminuiu o ponto de referência para o uso de armas nucleares. Por mais que sejam usadas palavras tranquilizadoras, conseguimos ler o que foi escrito. E está escrito que essas armas podem ser usadas em resposta a um ataque convencional, e até mesmo um ciberataque”, sublinhou o líder russo.

“A doutrina nuclear diz que a Rússia se reserva o direito de usar armas nucleares somente em resposta a um ataque nuclear ou a um ataque com outras armas de destruição em massiva contra os seus aliados, ou um ataque convencional contra o nosso território que ameace a própria existência do Estado. Como tal, é meu dever clarificar isto: qualquer uso de armas nucleares contra a Rússia ou contra os seus aliados, seja em pequena, média ou qualquer outra escala, será tratado como um ataque nuclear contra o nosso país. A resposta será imediata, com todas as consequências relevantes “, advertiu Putin

No discurso perante a Assembleia, Putin não deixou de referir as operações russas na Síria de apoio ao Presidente Bashar al-Assad como a demonstração por Moscovo de uma capacidade de defesa “cada vez maior”.

O Presidente russo prometeu investir em infraestruturas no país e assegurou que a ponte no estreito de Kerch, que irá fazer a ligação entre a Crimeia e a Rússia continental, deverá estar operacional nos próximos meses. Foi durante o mandato de Vladimir Putin que agora chega ao fim que a Rússia anexou unilateralmente aquela península, em março de 2014.

O chefe do Kremlin assegurou ainda que a Rússia está a aumentar a capacidade e infraestruturas militares e científicas no Ártico de forma a garantir os interesses russos numa região que considera “estrategicamente importante”.

Neste que foi o último discurso de Vladimir Putin antes da eleição, o líder russo prometeu reduzir para metade a taxa de pobreza nos próximos seis anos, o tempo de duração de um mandato presidencial.

O chefe de Estado revelou que o número de pessoas em situação de pobreza no país passou de 42 milhões em 2000 – ano em que assumiu a presidência pela primeira vez – para 20 milhões na atualidade, num total de mais de 146 milhões de habitantes.

“Devemos resolver uma das tarefas chave da próxima década: garantir o crescimento sustentado dos rendimentos reais dos cidadãos e, em seis anos, reduzir pelo menos para metade a taxa de pobreza”, reiterou.

c/ agências internacionais

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