Em causa está uma epidemia de Listeriose, uma grave infecção alimentar provocada por uma bactéria, que há mais de um ano percorre a África do Sul e que se começa a espalhar pela África Austral, tendo já sido responsável por duas centenas de mortes e milhares de contaminações.

Para impedir a propagação em larga escala para Angola dos problemas causados pela bactéria Listeria monocytogenes , as autoridades sanitárias determinaram, com carácter de urgência, que os produtos – carnes processadas, incluindo todos os produtos de fumeiro e enchidos e embalagens de comida pré-cozinhada – das marcas Enterprise Food e Rainbow Chicken Limited (RCL Food) sejam imediatamente recolhidas e destruídas e, em caso de já terem sido adquiridas pelos consumidores, devem ser igualmente destruídas.

Uma ordem emitida pelo Gabinete da directora geral do Instituto dos Serviços de Veterinária de Luanda, Bernarda Santana, a que Novo Jornal Online teve acesso, determina ainda que sejam definidas com urgência “medidas para intensificar o policiamento e controlo sanitário em todos os estabelecimentos comerciais postos de fronteira terrestres marítimos e aéreos”.

Sempre que os consumidores encontrem produtos à venda com estas características, ainda segundo a mesma nota, devem alertar de imediato as autoridades.

A listeriose é uma intoxicação alimentar propagada por alimentos contaminados com a bactéria Listeria monocytogenes e uma das suas consequências mais graves acontece nas gravidas, para quem devem ser redobrados os cuidados face a este cenário de acelerada propagação da doença em toda a parte sul do continente africano, com especial incidência nos países vizinhos da África do Sul, estando, no entanto, todos com medidas activas de prevenção no terreno.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou já esta epidemia originária da África do Sul como a mais grave existente actualmente no mundo, tendo já atingido mais de mil pessoas.

Investigação demorada

Há pelo menos um ano que se conhece a existência deste problema mas só na semana passada as autoridades sanitárias sul-africanas conseguiram encontrar o foco inicial da epidemia.

Um comunicado do Instituto Nacional de Doenças Contagiosas da África do Sul coloca a origem da epidemia numa empresa de fabrico de derivados de carne, especialmente enchidos, no nordeste do país, na localidade de Polokwane”, a Enterpise, uma das duas que Angola colocou sobre restrita vigilância.

O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, quando se dirigiu ao país sobre este problema usou mesmo a expressão “finalmente” para afirmar que, depois de meses a fio de investigações, descobriu-se a origem da epidemia, que é considerada uma das maiores registadas em todo o mundo e já vitimou perto de 200 pessoas e contaminou mais de mil só na África do Sul.

Uma das chamadas de atenção mais vigorosa é para as embalagens de comida pré-cozinhada.

Alguns dos sintomas mais comuns desta doença são vómitos, febres e diarreias e o tratamento mais comum é através de antibióticos receitados por pessoal médico devido à sua especificidade.

Moçambique também enfrenta o problema

Em Moçambique foram retiradas mais de 14 toneladas de produtos suspeitos importados das empresas Enterprise Food e Rainbow Chicken Limited sul-affricanas.

Um dos problemas sentidos pelas autoridades moçambicanas foi no mercado informal, onde este tipo de produtos são vendidos provenientes directamente da África do Sul ou adquiridos no sector formal e depois revendido nos mercados informais.

Actualmente em Moçambique, um dos países, pelo menos no que se conhece até ao momento, onde este problema tem maior dimensão fora da África do Sul, o trabalho das autoridades sanitárias passa por, através de equipas no terreno, recolher todos os produtos embalados, investigar se estão à venda conteúdos fora das embalagens de forma a contornar a apertada vigilância, especialmente nos mercados informais e proceder à sua incineração de forma controlada pelos técnicos.

Uma das chamadas de atenção é a necessidade de evitar que as pessoas que têm estes produtos em casa não os atirem para os contentores de lixo porque estes podem ser reaproveitados por pessoas que, consumindo-os, podem transformar-se em transmissores da bactéria para a comunidade.

Igualmente sublinhado pelas autoridades sanitárias moçambicanas é a necessidade de não juntar estes produtos suspeitos a outros alimentos porque pode ocorrer com alguma facilidade a propagação da bactéria que provoca a listeriose para bens alimentares até agora insuspeitos.