A malária e as doenças respiratórias são as patologias mais frequentes, segundo explicou, no local, ao Novo jornal Online, o administrador do centro de saúde do Rangel, Francisco Januário.

“Temos registado um número muito elevado de pacientes no nosso centro devido às últimas enxurradas que se abateram sobre a cidade de Luanda”, apontou.

“O lixo e as águas paradas têm sido factores para o aumento da malária, estamos a trabalhar arduamente no combate e prevenção destas doenças que têm prejudicado muitas crianças”, acrescentou.

No centro de saúde do Bairro Operário, o cenário é o mesmo: agitação e confusão no banco de urgência para que finalmente os utentes consigam uma ficha que dá acesso ao atendimento.

“É lamentável o que estamos a passar aqui”, afirmou Joana Bumba, que se deslocou ao centro do BO, com o filho de dois anos, a arder em febre.

Enquanto a criança aguardava para ser atendida, deitada num assento de pedra, a mãe continuou as lamentações “Não sei onde ir com o meu filho, já disse às enfermeiras que o meu bebé está com muita febre, mas elas disseram-me que não é a única criança que se encontra neste estado”.

“Só te tratam bem quando metes dinheiro à frente, cheguei ao hospital com dois mil kwanzas, não tenho mais dinheiro. Se eu der este valor à enfermeira para que eu possa ter um atendimento célere, como farei para comprar os medicamentos, se na farmácia do centro nunca há fármacos”, contou, confidenciando que uma enfermeira lhe disse para preparar dois mil kwanzas se quisesse ser atendida com urgência.

Falta de medicamentos

A falta de medicamentos nos centros de saúde de Luanda tem causado muito descontentamento dos utentes que recorrem diariamente às unidades hospitalares da urbe.

O Novo Jornal Online confirmou, junto das farmácias dos centros de saúdes acima citados, a falta de materiais gastáveis, como luvas, compressas, seringas, algodão e soro.

De acordo com uma fonte do Hospital Geral dos Cajueiros, no município do Cazenga, que falou sob anonimato, os enfermeiros são obrigados a pedir aos pacientes ou aos familiares para irem comprar os medicamentos à rua por não existirem fármacos na farmácia do hospital.

“Há muita carência de medicamentos nos hospitais da capital. Aqui, nos Cajueiros, a situação é a mesma, lamentamos quando nos deparamos com um paciente que não tem condições de adquirir os fármacos por falta de verbas”, disse.

Entretanto, no centro de saúde da Terra Nova, Beiral, ficou visível a enchente no corredor do banco de urgência.

Gilda Matias, vendedora ambulante de 33 anos, contou ao Novo Jornal Online que deu entrada com o filho no banco de urgência e teve de comprar todos os fármacos na rua porque o hospital não possui nenhum medicamento.

“Todas as minhas economias acabaram. Logo que começaram a atender o meu filho fui informada que o centro está sem medicamentos. Não tinha outra alternativa senão a de recorrer às farmácias da rua”, disse.

“Isto é uma brincadeira de mau gosto”, queixou-se o jovem Romão José, que tinha levado o irmão menor ao Beiral, depois de a criança ter tido uma recaída.

“Não sei porque é que chamam a isto hospital, nunca tem nada, as enfermeiras não sabem falar com as pessoas”, acusou.

“Para atenderem o meu irmão já passei por muita gente. Tive de pagar quatro mil kwanzas à chefe de banco e tive de ir comprar os medicamentos à rua”, acrescentou, contando que comprou as seringas e o soro, por não existirem no centro.

“Isto é uma vergonha. Dizem que as coisas estão a mudar, eu não vejo nenhuma mudança”, finalizou.

O Novo Jornal Online, depois de ouvir tantas queixas, contactou a directora do Centro de Saúde da Terra Nova, Beira, que se recusou a dar explicações.

“Não posso falar sem a ordem superior porque não fui avisada nem orientada para dar entrevista”, respondeu.