O Ministro das Finanças e os “canais de corrupção”

O ministro das Finanças disse, em entrevista publicada na edição desta segunda-feira do Jornal de Angola, que o orçamento já aprovado não servirá para «pagar canais de corrupção», em reacção às acusações feitas nesse sentido pelo líder da bancada parlamentar da UNITA.
Apesar de ter dado dar garantias de transparência na elaboração e gestão do OGE, o facto é que titular da pasta das Finanças escudou-se em evasivas quando, há dias, foi confrontado com tais acusações no Parlamento sobre as verbas alocadas às chamadas organizações de «Utilidade Pública».
Com a nova governação de JLo esperava-se um corte radial às organizações criadas à sombra do poder (Ajapraz, FESA, Kapuscorp, Fundo Lwini, MNE, Amangola, dentre outras) para promover a imagem do partido no poder ou enaltecer o culto de personalidade de JES.
Sabendo-se, à partida, que o país atravessa uma grave crise económico-financeira não faz sentido que o dinheiro dos contribuintes sirva para pagar algumas vaidades políticas, tais como o Torneiro Internacional de Hóquei em Patins JES, a Taça do Presidente e as provas de Automobilismo em homenagem ao ex-PR. Em constaste, há instituições como a ADRA, AJPD, OPSA, Open Society, Handeca, Associação Mãos Livres, que não recebem um Kwanza furado do OGE, mas que desenvolvem trabalhos de impacto social junto das comunidades rurais, ou na defesa dos direitos das camadas mais desfavorecidas, ou ainda em prol da da justiça social e da democracia.
Não basta que Archer Mangueira desminta, é necessário que ele prove de como o dinheiro de todos nós está a ser gasto, sob pena do titular das Finanças continuar sob suspeita de estar a «pagar canais de corrupção». Entende-se por «canais de corrupção» o financiamento de instituições que vestem a pele de organizações de «Utilidade Pública» mas, na prática, perseguem fins políticos escusos, que não prestam contas do dinheiro que «torram» em xinguilamentos políticos ou maratonas «patrióticas»…
Em nome da transparência, o ministro das Finanças deveria solicitar os Relatórios e Contas dessas organizações, como também promover auditorias às suas contabilidades. Em democracia é um direito que assiste aos cidadãos saber como tem sido gasto o seu dinheiro.

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