A pergunta está a fazer correr muita tinta na imprensa peruana: A quem pertencem as esferas metálicas encontradas na região andina de Puno?

Embora as suspeitas sobre a origem dos objectos incidam sobre a Rússia e Ucrânia – por causa de umas inscrições em cirílico gravadas no material -, a agência espacial do Peru (Conida) explicou que nenhuma das diligências entretanto efectuadas permitiu identificar o seu proprietário.

Através de um comunicado, a Conida informa que solicitou a intervenção do Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço para determinar a proveniência das esferas, que pesam entre 16 e 40 quilos.

Enquanto o mistério persiste – a que se junta a localização de uma quinta bola -, os especialistas peruanos trabalham sobre duas hipóteses. “Podem ser partes de um foguete lançado ao espaço e que caíram no nosso país, ou podem ser parte de um satélite muito grande”, disse ao jornal El Comercio Walter Guevara, da Direcção de Astrofísica da Conida.

A dedução do astrofísico volta a colocar o AngoSat-1 na berlinda, tendo em conta a data de lançamento do primeiro satélite angolano e os múltiplos problemas posteriormente reportados.

Explosão do tanque propulsor do AngoSat-1 soltou 25 fragmentos

O mais recente de que há registo refere-se à explosão do tanque do propulsor Fregat, que foi utilizado para colocar em órbita o AngoSat-1.

Segundo o site da N+, agência de notícias especializada na área da Ciência e Tecnologias, que é uma edição espanhola do russo Nplus1.ru, o18.º Esquadrão de Vigilância Espacial da Força Aérea dos EUAreportou que no passado dia 12 de Fevereiro – “no intervalo entre as 09:55 – 09:59 GMT” -, o tanque do propulsor Fregat SBB, usado no lançamento do AngoSat-1, desintegrou-se, o que desencadeou a formação de pelo menos 25 fragmentos.

De acordo com essa publicação, “os analistas estão a recolher dados para catalogar os fragmentos e calcular as órbitas de cada um deles”.

A situação levou ainda à divulgação de um alerta.

“Foi emitida uma advertência, para os operadores de satélites, sobre a possível ameaça de colisão de veículos espaciais com esses fragmentos”, adiantou o N+.

A notícia da desintegração do tanque do Fregat SBB chegou cerca de duas semanas depois de o AngoSat-1 ter sido notícia na América do Sul, associado a um raro fenómeno cósmico no Peru e no Brasil.

Já depois destes relatos, o ministro das Telecomunicações de Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, em declarações ao Novo Jornal Online, sublinhou que só em Abril será feita uma avaliação à saúde do satélite.

No caso de existirem alguns problemas com o satélite, o ministro respondeu que a parte angolana não sairá prejudicada porque o contrato acautela os interesses do país.

“O contrato prevê todos os extremos e, nesta indústria, todos os riscos são acautelados, desde a construção, lançamento e transporte. Todas essas etapas estão asseguradas”, garantiu.

Lançado a 26 de Dezembro passado no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, o AngoSat-1, que representa um investimento do Estado angolano de 320 milhões de dólares, evidencia problemas de funcionamento desde as primeiras horas.