Banco Fomento Angola lucrou 416,4 milhões de dólares em 2017

O Banco Fomento Angola (BFA), participado em 48,1% pelo português BPI, anunciou esta quarta-feira, em Luanda, um resultado líquido positivo de 416,4 milhões de dólares (334 milhões de euros) em 2017, um aumento de 12,1% face ao ano anterior.

A informação consta do resumo dos resultados individuais, não auditados, referentes ao exercício de 2017, disponibilizado esta quinta-feira à Lusa pelo BFA e que, entre outros indicadores, refere que a margem financeira do banco registou um crescimento de 59,6%, enquanto as comissões líquidas aumentaram 39,5% e o produto bancário (conjunto de todas as receitas) 34,6%.

A instituição acrescenta que no final de 2017 o crédito vencido tinha um peso de 6,3% do total do crédito concedido a clientes, embora sem quantificar valores. A cobertura de crédito vencido por provisões ascende a 144,3%, sublinha o BFA, que reconhece igualmente que a carteira de crédito a clientes reduziu-se em 17,2% durante o último ano.

Desde janeiro de 2017 controlado pela operadora de telecomunicações Unitel, de Isabel dos Santos, com uma participação de 51,9%, o banco atingiu ainda os 1.742.703 clientes no final do ano, um aumento de 11% face ao mesmo período de 2016.

O BFA mantém-se entre os maiores bancos angolanos e viu o número de cartões multicaixa – a rede interbancária angolana – aumentar 20%, para 1.342.194 cartões no final de 2017, “o que corresponde a uma quota de mercado de 23%”, entre mais de 25 instituições financeiras em operação em Angola.

A mesma informação refere que os custos de operação do BFA aumentaram 7,9% e que o rácio de transformação de depósitos em crédito (rácio entre poupanças captadas e crédito concedido) situou-se em 20,2%.

O Rácio de Solvabilidade Regulamentar (RSR) do BFA, corresponde à relação entre os fundos próprios e o valor do património exposto aos riscos inerentes às operações de crédito, situou-se no final de 2017 nos 43,4%.

“Significativamente acima do limite mínimo de 10% exigido pelo Banco Nacional de Angola”, recorda a instituição.

O presidente executivo do BPI reiterou na terça-feira que o banco quer reduzir a participação no angolano BFA, como exige o Banco Central Europeu (BCE), e admitiu vender parte das ações numa eventual operação em bolsa.

“Temos uma recomendação do BCE para reduzir a participação, a intenção é reduzir (…) Não diz [o BCE] até que número [a participação deve ser reduzida], diz que deve ser inferior a 48%”, afirmou Pablo Forero aos jornalistas, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2017 do BPI, em Lisboa.

Contudo, o responsável recusou indicar uma data para quando isso poderá acontecer, referindo que Frankfurt será compreensivo: “Eles sabem que não é uma coisa que pode ser feita facilmente”.

Já sobre a intenção manifestada pela empresária Isabel dos Santos de abrir o capital do BFA ainda em 2018, através de uma operação em bolsa, Forero disse que, a acontecer, o BPI poderá aproveitar para vender parte da sua participação no banco angolano.

“Se houver a operação de IPO [Oferta Pública Inicial, em português], vemos com bons olhos essa possibilidade, vemos com interesse a possibilidade de vender parte das nossas ações nessa operação”, afirmou.

Em dezembro, Isabel dos Santos disse em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg que pretende a entrada de novos acionistas no BFA.

A filha do ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, detalhou que poderá haver a venda de 25% do capital do BFA através de uma oferta de ações (IPO – Initial Public Offering, em inglês) a ocorrer em bolsa no primeiro trimestre de 2018.

O BFA é, desde início de 2017, controlado pela Unitel, a maior operadora de telecomunicações de Angola, onde Isabel dos Santos tem 25% do capital.

Antes disso, até janeiro de 2017, o BFA (fundado pelo BPI em Angola na década de 1990) era controlado pelo BPI.

Contudo, em janeiro de 2017 o BPI cumpriu uma exigência do BCE e reduziu a operação em Angola, através da venda de 2% da sua participação à Unitel (por 28 milhões de euros).

O BFA é desde então, controlado pela Unitel, com 51,9%, tendo o BPI 48,1%.

O BPI divulgou que teve lucros de 10,2 milhões de euros em 2017, abaixo dos 313,2 milhões de euros registados em 2016 devido sobretudo aos impactos negativos da redução da operação em Angola.

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