Quando o governador se acobarda perante invasão do bem público

Reclamar da invasão do pequeno Brasil pela pequena burguesia, protegida pela classe governante, é como chover no molhado. Não adianta. A sentença está ditada. Gritem, façam barulho, mas ninguém irá mover uma palhinha para travar o projecto. Os sinais são bem claros, a administração de Benguela está no papo. Tornou-se numa autoestrada para o desfile de ilegalidades. Está em causa o interesse dos amigos e filhinhos dos chefes do poder Central. o resto é mesmo resto. Depois ainda dizem que somos iguais perante a lei em que governação é aberta para todos.

Perguntem as zungueiras aos moradores das periferias sobre a posturas dos fiscais da administração municipal de Benguela, o que eles vão dizer?

Em toda essa história há alguém que pode inverter a regra do jogo. Tem poder para o efeito. Trata-se de Rui Falcão. No governador de Benguela estão ainda depositadas as esperanças dos benguelenses de verem devolvido o património colectivo. Será que Falcão está à altura deste desafio? Terá a mesma acutilância para travar o sonho mercantilista dos filhinhos dos seus superiores?

Chegou a hora de demostrar que não é apenas um homem de palavras, quando chegou a Benguela em meados do ano passado substituindo Isaac dos Anjos, o pai biológico da usurpação dos terrenos públicos, Rui Falcão assumiu o compromisso de ouvir mais a voz da sociedade, aos seus seus auxiliares avisou que não toleraria negociatas. Todos que seguissem este caminho haveriam de ser punidos.

Então sr. Governador? Há coragem?

Dizem os mais velhos que pela boca morre o peixe. É dai que na boca do povo, refletida em muitas conversas de bar, chamam-lhe de charlatão, por alegadamente assumir um discurso duro, mas ter uma acção macia, antes o manto de ilegalidades e a manutenção dos velhos hábitos que tanto tem criticado.

Muitos vão dizer que o governador está para grandes problemas, por isso, esse problema dever ser da alçada do município. Não! A governação é também feita de pequenas, medias e grandes acções. Não é por acaso que o local em causa despertou os apetites mercantilistas dos tais endinheirados. É um lugar com uma localização privilegiada.

Outra razão para o governador intervir tem muito a ver com posição frouxa da administração. Mesmo sabendo que os anteriores projectos executados no local foram fortemente contestados por terem sido executados contra vontade popular por graves violações emitiu a licença, acabando assim em definitivo com uma das praias mais míticas da cidade de Benguela.

O mais grave questionado, Carlos Guardado teria assumido à Voz da América que não está no município para corrigir o que está mal. Com essa resposta, assumiu praticamente a rotura com o compromisso maior do chefe de Executivo João Lourenço e do MPLA: corrigir o que está mal e melhor o que está bem.

Devemos lembrar que os cidadãos de hoje são de longe diferentes com os do passado. Não têm memória curta. Chegará o momento do ajuste de contas. O dia do voto. Nesse dia terão de fazer campanha eleitoral e pedir voto ao empresário que escolheram para erguer o tal ginásio à beira mar. Não se esqueçam que estão a escolher um interesse privado em vez do povo. Fica registado.


Por: Domingos Francisco

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