POLÍTICO NO ANO:  Dos Anjos: o “revú” mor do MPLA

2017 foi um ano em que o discurso superou de longe as obras. Os políticos que deveriam ter sido inspirados pelas eleições gerais realizadas a 23 de agosto foram rotineiros, não inovaram na província de Benguela. Assistiu-se uma campanha eleitoral quase morna, não houve espaço para muita imaginação. Todos quase seguiram e elaboram o mesmo roteiro. Foi um jogo de cartas marcadas. O eleitorado sentiu-se pouco atraído.

Ainda assim, houve quem rompesse a rotina. Isaac dos Anjos foi desses poucos se soltou e assumiu um discurso revolucionário. As consequências não tardaram. Foi demitido a menos de dois meses da liderança do MPLA e do governo. O cartão vermelho, também, deveu-se a guerra palaciana com uma determinada elite do maioritário.

Na pré-campanha, Isaac dos Anjos ousou e não teve “travão na língua”. Falou de assuntos, até então, vistos como tabus dentro do MPLA. Não se coibiu, deu cara à tapa exerceu seu direito de expressou e falou o que pensava, criticou o que devia ter sido censurado. Soltou-se e arremessou “pedra para charcos” proibidos. As suas criticas passaram da AGT – Administração Geral Tributaria ao ministério das finanças.  Denunciou a falta de verbas, desmontou a farsa do orçamento geral do Estado. Não poupou as políticas e económicas seguidas pelo seu partido. Procurou se impor.

mostrou grande poder de convencimento ao eleitorado granjeou prestígio de maneira acelerada em vários segmentos, percorreu a periferia de varias cidades da província, galgou aldeias e vilas, imprimiu uma dinâmica diferente na interação com a população, porém, em nada valeu, para os “caciques” do MPLA Dos Anjos era um alvo abater. Para eles era uma questão de honra ver Isaac fora de Benguela. Moveram mundos. Assim a 8 de junho de 2017, numa quinta-feira, divulgou-se a sentença. O “soberano” cedeu à vontade dos “caciques”. Dos Anjos saiu pela por porta pequena, mas cedo inverteu o jogo. Em pouco tempo foi reciclado para a estrutura central do núcleo duro da campanha eleitoral de João Lourenço.

Como se diz a sorte persegue os audazes, no executivo de João Lourenço foi brindado com um dos cargos determinante na elaboração de políticas para diversificação da economia nacional. É caso para dizer que o inferno não é mesmo espaço para os anjos. Hoje, está sentado junto e bem juntinho ao “pai”. Os seus algozes voltaram a ser seus subordinados. Sem sombra para duvidas, Isaac dos Anjos é um dos percursores da critica dentro do MPLA. Hoje ainda é lembrado com muita saudade pelos benguelenses, não muito pela obra, mas pela capacidade de abertura e pelas “bocas”.


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