Governo confisca minas de diamantes que JES ofereceu a filha congolesa

Nguituka Josefa Matias, a cidadã congolesa que surpreendeu «meio mundo» ao afirmar, em 2010, que era filha de José Eduardo dos Santos, perdeu um negócio milionário na Lunda Norte. É um indicador de que a suposta irmã de Isabel, Tchizé, Zenu e companhia está numa situação difícil, pelo que andará a forçar um contacto com o antigo PR, o primeiro da sua vida.

Fonte: Jornal O Crime

No dia 27 de Novembro de 2017, a Procuradoria-geral da República junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) na província da Lunda-Norte emitiu um mandado de revista, busca e apreensão contra Nguituka Josefa por exploração ilícita de diamantes.

No mandado, que fazemos questão de publicar na íntegra, pode ler-se que “O Digno Magistrado do Ministério Público Junto do Serviço de Investigação Criminal da Lunda-Norte, manda a qualquer oficial de justiça, agente da autoridade policial ou força pública que, ante este (documento) por ele assinado, que ao abrigo da lei n.º 2/14 de 10 de Fevereiro, seja realizada a Revista, Busca e Apreensão de todos objectos ligados a actividade de exploração ilícita de diamantes, localizados na área do Muca, na residência da arguida Josefa Nguituka, cita da vila do N´zagi.

Que seja permitida a entrada na residência do acusado (a) ou em qualquer lugar onde os meios estiverem escondidos. Ser-lhe-á entregue no auto da Revista, Busca e Apreensão o duplicado do presente Mandado”.

O documento, assinado pelo procurador António Domingos Espanhol, termina com a palavra ‘’Cumpra-se’’.

Desta forma, Josefa Nguituka, a suposta primogénita do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, inicialmente detida, viu apreendidos os meios que usava para prospecção dos diamantes, incluindo algumas viaturas.

A sua libertação só foi possível graças a uma intervenção de Ernesto Muangala, governador provincial da Lunda- Norte, que pediu ao Comandante Provincial da Polícia, uma vez que a orientação apontava apenas para a retirada da mina que explorava há já algum tempo.

Para lá do negócio, Nguituka foi convidada a abandonar a casa de protocolo do Estado onde residia desde que disse ser filha de José Eduardo dos Santos.

Este jornal tentou contactá-la, mas sem sucesso, uma vez que, segundo fontes próximas, encontra-se em estado de choque.

Num outro documento a que este jornal teve acesso, que também publica na íntegra, datado de 19 de Junho de 2017, oficio n.º 1113, o governador provincial pede ao então ministro da Geologia e Minas, Francisco Manuel Monteiro de Queirós, que autorize a Cooperativa Jefrim, representada por Josefa Nguituka, a exploração artesanal e semi-industrial de diamantes.

Lê-se que “Tendo em conta a colaboração institucional entre o Ministério de Minas, Endiama-E.P e Governos Provinciais, relativa a implementação de Organização de Cooperativas, solicito à Sua Excelência, nos artigos 95.º, 96.º, e 97.º da Lei n.º 31/11, de 23 de Setembro, a competente Licença, para que a referida Cooperativa exerça formalmente actividade de exploração Minerais considerado ainda a sua responsabilidade social perante a Comunidade da Região”.

Perante o cenário, o ministro da Geologia e Minas deu o seu aval exarando um documento denominado ´Carta-Conforto`, que autorizava Nguituka a explorar diamantes.

Entretanto, a zona concedida, em N´zagi-Cabulo, estava ocupada por mais de cinco mil garimpeiros ilegais, mas a senhora, com a ajuda das autoridades policiais, conseguiu retirar os mesmos, abrindo caminho a um investimento de dois milhões de dólares. Contava com cerca de 160 trabalhadores, entre os quais elementos da segurança.

Nguituka conseguia fazer negócios com a Endiama e a Scorp e, no plano social, estava a erguer um Centro Medico e uma Escola para aquela comunidade com mais de dois milhões de habitante.

Depois de Isabel dos Santos ter sido exonerada da Sonangol, da rescisão de contrato da TPA com Semba Comunicações e da destituição de Filomeno dos Santos do Fundo Soberano, o vendaval chegou Nguituka, a ‘’primogénita’’ de JES, acusada de explorar os trabalhadores e maltratar a comunidade.

Diz-se que as terras pertencem à empresa Chitotolo e que a sua empresa incorria em ilegalidades.

O aparecimento

Josefa Nguituka Matias surgiu na imprensa em 2010, reclamando o reconhecimento de JES como sua filha primogénita. Na altura, dizia-se que tinha tentado contactos com personalidades próximas à família presidencial , a fim de chegar à fala com o cidadão que dizia ser seu pai.

Contava com 46 anos de idade e apresentava-se com o nome de Nguituka Josefa Matias. A mesma reclamava ser filha do então PR angolano e de uma mulher identificada por Elisabeth Kaenje. Terá sido gerada no período em que JES andou nos Congos como representante do MPLA.

Diz-se que nasceu logo após o suposto pai ter partido para a extinta União Soviética estudar Engenharia, razão pela qual não foi registada por JES, acabando por ser reconhecida pelo padrasto, que atende pelo nome de Matias.

Josefa alegava que andava à procura do pai biológico desde 1999, altura em que ela saiu dos Congos rumo à província angolana da Lunda-Norte para fazer negócios. A guerra dificultava a sua chegada a Luanda.

De acordo com informações dignas de crédito, a mesma ainda não se encontrou com o antigo Presidente, mas terá tido contactos ou aproximação com familiares da linha de Marta dos Santos e de Gaspar dos Santos.

Quando Dos Santos negou paternidade

No dia 27 de Setembro de 2010, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, negava a paternidade a Nguituka Josefa Matias.

O caro leitor pode acompanhar excertos das declarações que proferiu à TPA: “Sou José, em minha casa os meus familiares tratam-me por Zé. Os mais novos chamam-me de mano Zé. Os meus sobrinhos tratam-me por tio Zé. Durante a minha infância na escola, no Liceu Salvador Correia (actual Mutu Ya Kevela) por onde passei, nas lides de futebol, na música, etc., e na juventude, todos me conheceram e trataram-me por José Eduardo. Na guerrilha, no MPLA, quer em Kinshasa (RDC), quer em Brazzaville (Congo), enfim, nos meus tempos de estudante, os meus companheiros e os meus amigos de luta e colegas chamaram-me José Eduardo. Fui sempre conhecido por José Eduardo e nunca por Edú.

Edú é diminutivo de Eduardo, Eduardo é o nome do meu falecido pai”, esclareceu, acrescentando que “o pai biológico de Josefa Matias é uma outra pessoa, que ela deve continuar a procurar”.

Em círculos fechados, conforme informações disponíveis, JES terá assumido que se tratava da sua primogénita, tendo-a apoiado com bens para se manter calada.

Fala-se em mais de 50 milhões de dólares, casas e carros, e uma bolsa de estudo no exterior para o filho de Nguituka, a cidadã que volta, como se vê, a cair nas malhas do desespero.

Esteve, recentemente, no Comité Central do MPLA para tentar abordar JES, mas voltou a ser barrada.

 

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