Com esta desvalorização, ou depreciação, na terminologia aplicada ao mecanismo encontrado para permitir a flutuação cambial do Kwanza, a perda face à moeda europeia fica praticamente em cima dos 30 por cento desde o início do ano, 30 dias, como o Novo Jornal Online tinha antecipado na segunda-feira.

O BNA destinou os 192,4 milhões de euros hoje leiloados principalmente à aquisição de matéria-prima , acessórios e equipamento, com 50 por cento do total, 20 por cento foram para seguros, telecomunicações, transportes e informática, e a agricultura, agro-pecuária, pescas e mar ficou com 15 por cento, montante igual ao que foi para o sector do comércio geral.

O dólar norte-americano foi fixado nos 207,6 kwanzas (venda), sendo que o cabaz de moedas têm o câmbio atribuído em função do Euro, que é a moeda de referência escolhida pelo BNA.

A próxima venda de divisas através de leilão está agendada para o próximo dia 07 de Fevereiro.

Novas regras, desvalorização menos intensa

O BNA, depois de uma acentuada depreciação da moeda nacional, depois de dois leilões onde perdeu 10 e 16 por cento respectivamente, cancelou por duas vezes um leilão no dia 19, decidindo estabelecer novas regras para a flutuação cambial, impondo um limite de dois por cento em cada leilão, como explicou na ocasião o governador do BNA, José de Lima Massano, na ocasião.

Esta alteração às regras do jogo foi imposta porque os bancos comerciais mostraram um apetite desmesurado pelas divisas e ofereceram valores muito acima do considerado razoável pelo BNA, o que poderia, se o leilão de dia 19 não tivesse sido cancelado, atirar o Euro para muito perto dos 280 kwanzas e o dólar a aproximar-se dos 245 kwanzas.

José de Lima Massano, reuniu com os responsáveis dos bancos comerciais para apresentar as novas regras que vão regular os leilões de divisas, um dia depois do cancelamento de duas sessões de vendas, que levariam a que o Kwanza desvalorizasse mais 10 por cento em cima dos mais de 26 que já tinha depreciado nos anteriores dois leilões.

As novas regras que vigoram desde 23 deste mês permitem aos bancos comerciais, nas propostas que fazem ao banco central para cada um dos leilões, que “a margem máxima sobre a taxa de câmbio de referência publicada pelo BNA, ou seja, aquilo que os bancos comerciais podem colocar como apreciação ou depreciação da taxa de câmbio não seja superior nem inferior a 2 por cento”, anunciou José de Lima Massano.

Com as novas regras, dois por cento é a variação máxima quer seja na venda do BNA aos bancos comerciais, quer seja estes a venderem aos seus clientes, em divisas ou em notas.