Hospital Geral do Lubango corre risco de fechar

Eleutério Hivilikwa manifestou esta preocupação após um encontro com o governador da Huíla, no qual ambos abordaram a  situação do sector da Saúde na província.
Segundo o responsável, a situação sanitária na Huíla “é preocupante” porque os hospitais debatem-se com a falta de medicamentos,  material gastável e reagentes, em função da escassez de recursos financeiros.
“Abordei com o governador a situação geral da Saúde na província,  em particular o quadro da malária, dos medicamentos e a forma de distribuição dos recursos financeiros do Orçamento Geral do Estado (OGE), atribuídos às unidades hospitalares locais”, informou.
“ Constatamos finalmente que o Hospital Central do Lubango não foi reabilitado, ao contrário do que alegam os seus gestores. Apenas pintaram algumas paredes e nada mais do que isso. Vê-se infiltração de água por toda a parte e no tempo chuvoso a situação piora. Pelo andar da carruagem, num período de um,  dois anos poderemos  encerrar o hospital do Lubango por não ter condições para funcionalidade ”, alertou.
Eleutério Hivilikwa informou que o Hospital Central da cidade do Lubango dispõe de um bloco operatório sem condições, “porque o material usado está inadequado” e  propenso a acumulação de bactérias.
“As luzes para as mesas operatórias estão montadas de uma forma incorrecta, o que impossibilita a boa visibilidade. É necessário uma intervenção urgente”, apelou. Actualmente, informou o director provincial da Saúde,  os trabalhos de cirurgia são realizados num lugar improvisado, acarretando uma série de riscos para os doentes. “Somente uma reabilitação verdadeira poderá operacionalizar o bloco operatório, sublinhou Eleutério Hivilikwa, acrescentado que a área de esterilização das caldeiras também funciona sem condições, com um sistema de 1975.
“ Basta aumentar a pressão da água”,  disse ainda a respeito”, a tubagem da área de esterilização rebenta, o que demonstra que os instrumentos estão aquém dos padrões de um hospital. Actualmente o sistema de esterilização do Hospital Central do Lubango não oferece segurança, até porque durante a quadra festiva avariou e tivemos de buscar alternativas”.
A questão dos elevadores, segundo Eleutério Hivilikwa, é outro problema que deve merecer intervenção urgente, já que o Hospital Central tem oito andares e nenhum elevador funciona.
“Passa-se por grandes constrangimentos quando, por exemplo, tem que se levar um doente do primeiro para o sétimo andar. O mesmo cenário observa-se quando se registam casos de morte, os cadáveres  têm de ser transportados em maca do andar onde estiverem até à casa mortuária. Às vezes, contamos com o apoio das famílias dos pacientes, mas não é a forma correcta”, deplorou o director provincial da Saúde.
“Há casos”, acrescentou ainda Eleutério Hivilikwa, “em que enfermeiras têm que levar o cadáver para o rés-do-chão e a maior parte das funcionárias são pessoas já idosas e sem condições físicas. Dai, a necessidade urgente de se reparar os elevadores do hospital”.
O director provincial da Saúde na Huíla disse que  estão em curso contactos com algumas empresas para a reabilitação dos elevadores, mas os custos dos trabalhos, por serem demasiadamente altos, estão a impedir a concretização da obra.

Recursos humanos
O Hospital Central do Lubango debate-se com um défice de recursos humanos e  este quadro poderá agravar-se se os técnicos expatriados da Rússia abandonarem a unidade sanitária como prometeram por falta de pagamento.
“A Direcção Provincial da Saúde recebeu em Dezembro do ano findo uma carta da Missão Russa na Huíla a avisar que os seus profissionais que trabalham no hospital central poderão retirar-se a qualquer momento, se continuarem sem receber os seus ordenados”, disse Eleutério Hivilikwa.
“Se os médicos de nacionalidade russa saírem do hospital, vamos fechar alguns serviços, já que são assegurados exclusivamente por eles”, alertou, referindo que a área de cirurgia geral,  neurocirurgia,  cirurgia pediátrica e anestesia correm grandes riscos de fechar caso os russos parem de trabalhar.
“ O ministério de tutela tem de encontrar  uma saída para o pessoal russo senão o hospital do Lubango terá grandes dificuldades em termos de assistência médica”, apelou.
Disse ainda a este respeito que há um número considerável de trabalhadores eventuais que estão há muito tempo sem salários. “Em Dezembro de 2017 tentamos  cabimentar algum valor para os médicos russos, mas o banco não disponibilizou dinheiro, eles passaram a quadra festiva com os bolsos vazios, daí terem ficado desanimados e escrito  uma carta à ministra da Saúde para intervir”, explicou.

                           Huíla precisa de medicamentos essenciais e material gastável
Outra preocupação manifestada pelo responsável provincial da Saúde é a falta de macas,  medicamentos e material gastável.
“Os hospitais da Huíla, de uma forma geral, têm recebido uma quantidade ínfima de orçamento e, às vezes, os valores são cabimentados mas o banco nunca disponibiliza aos fornecedores e isso causa muitos constrangimentos”, apontou.
Eleutério Hivilikwa disse ainda que os laboratórios do hospital têm muitos equipamentos avariados e debate-se com falta de reagentes. “Poderíamos comprar as peças de reposição para superar as avarias, mas o banco não nos dá divisas. Os medicamentos que recebemos do ministério de tutela são em pouquíssimas quantidades, enfim, há uma série de problemas que enfermam a instituição ”, lamentou. Por outro lado, o director da  Saúde na Huíla  disse que a situação epidemiológica é dominada pela malária, que nos últimos tempos apresenta muitos casos de óbitos, seguido da tuberculose, que “por falta de medicamentos” está a proliferar em algumas regiões.
“A questão da falta de medicamentos para combater a tuberculose  é um problema nacional e isso está a provocar muitas consequências, porque muita gente afectada está a automedicar-se. É por isso que se assiste a resistência da bactéria da tuberculose em muitos doentes”, frisou, adiantando que há informações de que “se não houver contratempo até finais do mês em curso a província vai receber  medicamentos suficientes”.

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