Segundo o Director de Comunicação do Ministério do Interior, intendente, Mateus Rodrigues, a acusada trabalhava com um grupo, constituído por elementos do banco e de fora, e recebia a informação das contas das pessoas falecidas mas com somas avultadas nas suas contas por encerrar.

A acusada nega todas as acusações da polícia e garante que nunca mexeu em dinheiro de forma ilegal, tendo apenas “ajudado” um amigo cuja tia tinha acabado de enviuvar.

No entanto, para a polícia, a verdade é outra e o método encontrado também, como explicou Mateus Rodrigues, o grupo tratava de subtrair pequenas quantias de cada vez das contas em questão, através do Multicaixa e com cartões criados pela própria dentro da instituição bancária.

“Este é um grupo que se dedicava a esta prática. Ela, a acusada, com ajuda de outros elementos que ainda não estão incluídos neste processo, desviavam somas avultadas das contas bancarias de pessoas que já faleceram e efectuavam os levantamentos por via de Multicaixa”, explicou o oficial em declarações ao Novo Jornal Online.

O responsável acrescentou que a acusada, Gizela Freitas, foi detida através de uma denúncia de um cúmplice por não ter recebido o montante acordado neste último assalto.

“Eles, quando fizerem este último desvio, que culminou com a detenção da jovem, combinaram que cada um devia levar a mesma quantia, mas a acusada não aceitou dividir os valores com os seus comparsas conforme acordaram”, conta o oficial, sublinhando que um dos elementos do grupo fez a denúncia por não receber a quantia combinada.

Por sua vez Gizela Freitas, agora ex- funcionária do BPC, acusada do crime de desvio de 16 milhões de kwanzas explicou ao Novo Jornal Online que está a ser acusada de um crime que não cometeu e que simplesmente atendeu ao pedido de um amigo (que também está detido) para o ajudar a tratar de um cartão Multicaixa de um tio falecido para ajudar a viúva a levantar o dinheiro.

“Nunca mexi na conta de nenhum cliente. Simplesmente ajudei um amigo que pediu para socorrer a tia dele, que tinha acabado de perder o marido. A senhora estava a passar por muitas dificuldades para levantar os valores que se encontravam na conta do esposo”, disse.

Gizela refuta as acusações da Polícia Nacional e diz que para além de ajudar a tratar do cartão Multicaixa para tia do amigo, a única operação que chegou de efectuar na conta do marido da viúva foi de seis Milhões de Kwanzas.

“Eu nem recebi nenhuma comissão e nem conheço nenhuma destas pessoas que fizeram a denúncia na polícia, alegando que dei o sumiço de 16 milhões de kwanzas nas contas de pessoas falecidas”, garante.

Do dinheiro furtado, a polícia não conseguiu até ao momento recuperar nada, mas o Director de Comunicação do Ministério do Interior garantiu ao Novo Jornal Online que os efectivos do Serviço de Investigação Criminal estão a trabalhar para o recuperar e fazer a entrega a quem de direito.