Fome aperta em Benguela. Centenas de famílias sobrevivem da manga verde

Centenas de pessoas alimentam-se com mangas verdes em Caimbambo

Cento e vinte e quatro famílias de uma localidade de Caimbambo, na província angolana de Benguela, enfrentam um cenário de fome que obriga os seus integrantes, incluindo mulheres e crianças, a recorrer a mangas verdes para refeições diárias.

Não há relatos de mortes devido à carência alimentar, extensiva a três outros municípios do interior, mas o Governo Provincial pede que a sociedade se mobilize para a ajuda que se impõe.

O quadro desolador, como que a desafiar o programa de combate à fome, é apresentado numa altura em que a política agrária do Governo angolano tem sido bastante questionada, em grande medida devido ao baixo orçamento para a agricultura.

Agrónomo de profissão, o activista José Patrocínio e observador africano dos direitos dos povos, afirma que o cenário de carência era previsível.

“Era de prever-se que isto acontecesse, tem a ver com a seca e políticas agrárias no sentido do aproveitamento da água, não deixando que estas zonas dependam exclusivamente das chuvas. Seria bom que existissem políticas para o aproveitamento dos recursos hídricos, para criar armazenamento. São calamidades nacionais, exigem políticas da parte do Governo central”, considera Patrocínio.

Na hora do apelo à solidariedade daqueles que podem ajudar, a directora do Gabinete de Acção Social, Família e Igualdade no Género, Leonor Cafundanga, em entrevista à Rádio Benguela, era uma mulher bastante preocupada.

“Só na localidade de Lómia são 124 famílias afectadas, há também problemas no Chongoroi, Ganda e Cubal. As mulheres, na reunião que mantivemos com o senhor administrador, disseram mesmo que as mangas verdes são a solução. Por exemplo, uma criança recebe duas ou três mangas ao almoço e, se houver, uma papa na hora do jantar’’, lamenta Cafundanga.

Caimbambo fica a 110 quilómetros da cidade de Benguela

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