Benguela elegeu deputados “mudos”

Na plenária para aprovação do Orçamento Geral do Estado realizado a 18 de janeiro, os deputados eleitos pelo circulo provincial de Benguela saíram da sessão tal como haviam entrado. Ou seja, entraram mudo e saíram calados. Para uma província mergulhada em dificuldades é estranho que os “chamados representantes do povo” optem pelo silêncio. Seja quais forem as razões para para essa opção, os parlamentares de Benguela saíram mal da fotografia.

Os cinco deputados, quatro do MPLA e um da UNITA, entre eles apenas dois novatos Zacarias Davoca e Joaquim Frederico D’Almeida, enquanto Verissimo Sapalo, Eduarda Magalhães e Alberto Ngalanela são veteranos. Todos eles esqueceram ou pelo menos assinaram um certificado de incompetência ao não cumprirem com o mínimo dos seus deveres. Eles deviam saber que no exercício das suas funções como mandatário do povo, tem obrigação de defender o interesse e o bem-estar da população que os elegeram.

Curiosamente, o debate aconteceu numa semana em que uma parte da população que os elegeram está mergulhado numa autêntica penúria. Não há comida. Os populares de algumas localidades dos municípios do Caimbambo e Chongoroi estão a alimentar-se de manga verde para acalentar a necessidade diária do estomago. As perspetivas são tenebrosas para um povo que sobrevive da agricultura familiar, sacrificada pela estiagem. Um fenómeno que nos últimos tem fustigado aquela região de Benguela.

Para não falar dos velhos problemas de Benguela que não precisam de lupa para serem visto. Sabemos que muitos deles quando circulam pela província a dentro fazem-no em viaturas luxuosas, os lexus, com vidros fumados, mas insuficientes para esfumarem uma realidade nua e crua. O lixo é desses problemas. As cidades do litoral, há muito transforam-se em canteiro de lixo. Da província mais limpa do país, hoje a sujeira passou ser também um postal de visita das terras de Ombaka. A causa do problema já não é novidade para ninguém, as empresas que trabalham na recolha do lixo deixaram de recebem os dinheiros dos trabalhos prestados desde 2014. Todos os anos acumulam prejuízos. O governo assumiu ser um mau pagador. Aplica calote aos empresários todos os anos.

A fatura dessa realidade para além de se fazer sentir na redução de trabalhadores, Benguela e Lobito tornaram-se cidades imundas. Vive-se ou pelo menos não se está longe de uma calamidade social, com todos os riscos para saúde publica. Falando de saúde é outro sector que está de rasto. Os hospitais estão medicamentos, no cenário em que as doenças estão sempre a prosperar. Nos últimos dias multiplicam-se os relatos de casos de malaria que encontra terrenos fértil principalmente nas regiões do interior. A Ganda, o Cubal para citar apenas esses dois municípios estão próximo de viverem um surto de malária. Os hospitais para além da falta de medicamentos estão a ver as suas estruturas a degradarem-se todos dias. Não há dinheiro para manutenção. Nesse rolo de problemas entram os profissionais de saúde que todos anos clamam por melhores condições salários. O pouco que ganham não dá para ter mínimo na mesa. A desmotivação está à vista. Não há respeito por quem tem o dever de salvar e de cuidar de vidas.

Se a saúde está doente a educação está em coma. O sector não consegue livrar-se dos velhos problemas. Todos os anos aumenta o numero de criança com idade escolar fora do sistema normal ensino por falta de salas de aulas e de professores. O sector empresarial há muito recebeu certidão de óbito. Muitos faliram, os poucos que ainda resistem mantêm apenas serviços minimos. Os reflexos estão à vista. Milhares de trabalhadores foram atirados ao desemprego. Falta de divisa, devida publica elevada são apenas alguns dos factores que levaram os empresários a descarrilarem. Falar de descarrilamento, olha-se para as estradas de Benguela, são uma autentica vergonha. Degradam-se todos os dias.

Resumindo, há motivos mais do que suficientes para os representantes do povo de Benguela não entrem numa sessão de debate do Orçamente Geral do Estado calados e saírem mudos.

Esta é apenas mais uma prova de que os deputados não estão na Assembleia Nacional em representação do povo.

É, portanto, caso para dizer: tenham vergonha, senhores deputados!

Por: Domingos Francisco

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