De acordo com Zhang Xiaohong, em declarações à agência estatal chinesa Xinhua, o negócio com Angola, cujos valores não foram revelados, reforça o sucesso dessas aeronaves turboélice no estrangeiro.

“Os aviões MA-60 vão reduzir o tempo de viagem dos passageiros em Angola”, destacou o responsável, confiante na crescente popularidade deste modelo no mercado internacional.

Os MA-60, segundo descreve a Xinhua, foram concebidos para voos de curto e médio curso, tendo como atractivos o baixo custo de operação e manutenção.

O modelo, que tem sido escoado para países africanos, asiáticos e da América Latina, surge contudo associado a uma série de acidentes, envolvendo sobretudo o trem de aterragem.

Em 2013, por exemplo, Myanmar baniu o aparelho após a colisão com um muro, na sequência de várias falhas, nomeadamente nos travões.

A impopularidade dos MA-60 também se evidenciou na Nova Zelândia, que chegou mesmo a alertar os cidadãos para não usarem os aviões chineses.

Investigação jornalística expôs fragilidades dos MA-60

Já em 2016, o jornal Wall Street Journal publicou uma investigação sobre os Modern Ark, na qual se enumeravam vários problemas de segurança, responsáveis por uma sucessão de acidentes, dos quais resulta um histórico de dezenas de feridos e mortos (25 numa das situações reportadas).

“Dos 57 aviões MA-60 que o fabricante diz ter exportado até Janeiro [de 2016], pelo menos 26 foram encaminhados para o estaleiro devido a receios de segurança, problemas de manutenção e outras questões de funcionamento”, apontou o jornal.

Segundo a publicação, o regulador chinês do mercado da aviação terá mesmo ocultado informações de segurança aos países que importaram o aparelho, relacionadas com acidentes ocorridos na China.

Questionado pelo Wall Street Journal, o regulador descartou problemas de fabrico, garantindo que os acidentes que envolveram os MA-60 no estrangeiro não estiveram ligados às condições de segurança das aeronaves.

No entanto, dois anos antes do esclarecimento ao jornal, a mesma fonte alertava, internamente, para possíveis deficiências no trem de aterragem dos MA-60.