Em declarações ao jornal russo Kommersant, citadas pelo site estatal russo Sputnik International, Vladimir Solntsev explicou que houve um novo contratempo com o AngoSat-1.

“Surgiram alguns problemas com a fonte de alimentação, por isso fomos obrigados a colocar o aparelho no modo de economia de energia, ou seja, “regime seguro””, disse o director da RSC Energia, empresa que liderou o consórcio responsável pela construção do satélite.

Vladimir Solntsev adiantou que os peritos vão analisar a telemetria do satélite para apurar a origem dos problemas, situação que, garante, está a ser acompanhada pelos especialistas angolanos, que preferem não antecipar cenários.

O responsável russo explicou ainda que em breve o AngoSat-1 vai sair da zona de radiovisibilidade, para a qual deverá regressar em meados de Abril.

O satélite foi lançado no passado dia 26 de Dezembro, com recurso ao foguete ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo ainda a Roscosmos, empresa espacial estatal da Rússia.

Horas depois desse momento, comemorado em Luanda com fogo-de-artifício, os russos comunicaram a perda de contacto com o aparelho.

“O contacto cessou temporariamente, perdemos a telemetria”, indicou na altura fonte da indústria espacial russa à agência France Presse.

Secretário de Estado angolano já tinha alertado para situação “imprevisível”

A falha foi ultrapassada dois dias mais tarde.

“As nossas equipas angolanas e russas que estão envolvidas no processo estão a trabalhar arduamente e é com alguma satisfação que anunciamos que o satélite voltou a estar em comunicação com a estação de Baikonur [no Cazaquistão]”, disse a 28 de Dezembro o secretário de Estado para as Tecnologias de Informação, Manuel Homem.

O governante explicou que o problema de comunicação reportado “ocorreu durante o processo de abertura dos painéis em órbita”.

“O que de facto interessava informar é que o Angosat está em órbita”, sublinhou Manuel Homem, esclarecendo que situações deste tipo não são invulgares.

“É importante que possamos perceber que o Angosat é um satélite, que, enquanto infra-estrutura, vai para um ambiente novo e é normal que pudesse ocorrer alguma situação anormal de adaptação ao ambiente”, apontou o responsável, citado pela agência Lusa.

O secretário de Estado não avançou, contudo, a causa da perda de contacto com o satélite, adiantando apenas que os técnicos continuam a trabalhar para identificar que razões levaram a essa interrupção das comunicações.

Manuel Homem acredita que esta “é uma situação que se prevê não voltar a acontecer”, embora salvaguarde que isso “é sempre imprevisível”.