“Ressurreição” de Agostinho Felizardo: “mais um milagre de JLo”

O regresso dos que nunca foram. Esse é o titulo de um filme bem conhecido pelos amantes de cinema em Angola que poderia bem espelhar a narrativa do percurso políticos e governativo de Agostinho Estêvão Felizardo. Apeado em 2014 do cargo de vice-governador para esfera económica da província de Benguela, por suposta incompatibilidade com o antigo governador Isaac do Anjos, Felizardo regressa a Benguela pela por porta de frente. Nesta terça-feira, 19, foi nomeado presidente do conselho de administração do porto do Lobito.

Após a exoneração em 2014, Agostinho Estêvão Felizardo viu-se resgatado na província do Cuanza Norte, onde nos últimos três anos foi presidente do conselho de administração da empresa de águas. Uma empresa sem estrutura expressão para a dimensão de uma figura que foi tão somente o segundo homem do governo de Benguela. Foi, na altura, uma nomeação de consolação para salvar o homem do tombo que havia sofrido.

Oficialmente nunca foram reveladas as razões da sua exoneração, mas em surdina comentava-se que não tinha uma boa reputação. Durante os mais de 7 anos como vice-governador, Agostinho Estêvão Felizardo foi sempre apontado como uma figura envolvida nas grandes negociatas que roçavam a corrupção na governação de Benguela, com supostas engenheiras financeiras.

Entretanto, longe dessas suspeições, não é conhecido é património resultante dessas jogadas. Ao que se sabe Felizardo foi sempre comedido na exibição dos seus pertences. Apresentou-se sempre como um homem de parcos recursos.

A sua ascensão na liderança do Porto do Lobito apanhou “meio mundo” de surpresa. Em Benguela quase ninguém poderia imaginar que o lugar de PCA, muito cobiçado estava reservado para um homem que saiu pela porta pequena da província. A notícia surpreendeu, principalmente alguns dirigentes. Muitos não queriam acreditar no alinhamento feito pelo Presidente da República para o Porto do Lobito.

Nas cogitações para o cargo eram apontados vários nomes, dos quais salta à vista de José Locumbo, afastado recentemente da liderança do MPLA no município de Benguela com a promessa de vir a ser enquadrado numa das empresas públicas ou no governo.

Agostinho Estêvão Felizardo assumi uma empresa quase em banca rota. O porto do Lobito atravessa um dos momentos financeiros mais difíceis dos últimos tempos. Desde do início da crise económica e financeira em 2013, o Porto do Lobito viu arrecadação de receita a cair vertiginosamente, em consequência da redução das importações. Em face disso, a empresa acumula elevadas dividas que se refletem no pagamento dos ordenados dos trabalhadores. Por exemplos, este ano, os portuários chegaram a ficar mais de quatro meses sem salário.

 

 

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