“ Os Órfãos” de Eduardo dos Santos –Domingos Chipilica Eduardo

José Eduardo dos Santos ex- presidente de Angola durante 38 anos, sucedera António Agostinho Neto em 21 de Setembro de 1979. É considerado um “ deus-diabo”. Entretanto, o seu abandono do poder deixou uma “legião de órfãos”:
a) Os filhos e os empresários do partido.
Estas entidades tinham um rendimento anual que rondavam os milhões e milhões de dólares através da promiscuidade negociável com o Estado e os seus aliados, monopólios e prioridades ou seja eram praticamente os reais zungueiros dos grandes interesses económicos e financeiros.
E para disfarçar o empreendedorismo desta gente, distribuíam migalhas aos demais membros e os empresários do nada devidamente selecionados. Portanto, não era necessário ser um bom negociador, apenas bastava ter bons contactos.
Hoje com o cancelamento brusco dos monopólios e das anarquias dos negócios sobretudo com Estado, esta malta está vivendo a solidão e a incerteza do futuro. Porquanto sabem de antemão que no regime de livre concorrência sucumbirão à primeiríssima curva.
Por isso, é a razão do alarido e do mar de lamento que assistimos mascarados em perseguição e prevenção de conflitos. O problema está identificado a fonte secou e a fome chegou!

b) Os propagandistas financiados.
São os seguidores e defensores de JES em pleno, blindavam os órgãos e instituições públicas e privadas para adulação da sua imagem. Dando-lhe um ar de imaculado, visionário, arquitecto da paz… E por tabelas desaguavam para os seus bolsos rios de dinheiro (há relatos de propagandistas que nunca viajavam sem malas de dinheiro do povo).
Pois o dinheiro era uma arma do silenciamento. Os mais vulneráveis rendiam-se aos milhares com conferências de imprensas encomendadas e outros preferiam à clandestinidade, cumprindo a agenda do regime.
Por outro lado, o temor de morrer e o desejo pela vida fácil tornaram reféns da situação muitos, e portanto assistimos acérrimos opositores a entregarem-se aos prazeres dos deuses quase sem explicação aos ecrãs e aos microfones do costume.
Muitas vezes para ser contemplado era tornar-se revolucionado do nada, bastava “ ofender” JES e os seus membros para cheirar e ter acesso fácil a auto-estrada das regalias. Logo, há exemplos aos milhares.
Por hoje todas torneiras financeiras fecharam-se e os propagandistas estão em debandadas, azar deles “ o rio secou”.
c) Os apaixonados por JES.
Ao longo do seu consulado há pessoas que se enamoram imaterialmente por ele, nutrem-no uma paixão doentia inexplicável, pelo seu modo de ser e estar, quer os discursos quer a presença. Eduardo dos Santos marcou a vida de múltiplas gerações angolanas. Por isso, é indiscutível que neste momento de retirada haja lágrimas de saudade e desesperos.

d)Oposição política e o activismo de ocasião.
Estes são os verdadeiros órfãos porquanto os seus discursos centralizavam-se sobretudo na longevidade de governação, na corrupção e na desgovernação. Combatiam a eternização do poder de JES, pois era o alvo a bater em todas dimensões.
E durante anos a fio era o seu o modus operandi de estar e fazer política, Eduardo dos Santos era uma espécie de uma fonte de inspiração. Lamentavelmente, o seu abandono do poder estatal deixou-os desamparados e esfumaram-se as intervenções públicas.
A solução seria apontar a corrupação. Todavia, João Lourenço substitui-os, deixou-os hipnotizados, preferiu ser ele “ próprio opositor do regime e activista do povo”.
Ora, o momento requerer maturidade e uma nova intervenção política desta classe, virada ao novo contexto, discussão aberta sem populismo. Pois, abertura e o crescimento no pensamento “crítico–politico” dos cidadãos ainda que tímidos impõem aos fazedores de política mais modernismo , estudos aturados e seriedade. Terminou a época de “Maria vai com as outras” de outrora.
Todos que se dizem autores e activistas políticos devem fazer uma introspecção, tempos novos, novas realidades e mais juízo!
Domingos Chipilica Eduardo.

Domingos Chipilica Eduardo Eduardo

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