Jornalista do Jornal A República detido por extorsão ao administrador de Cacuaco

Um funcionário do jornal A República e o ex-assessor de imprensa do administrador de Cacuaco foram detidos pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), acusados de tentar extorquir 1 milhão e quinhentos mil kwanzas ao político, num caso que também implica o director dessa publicação, e envolve notícias alegadamente comprometedoras para o governante de Cacuaco.
O Novo Jornal Online ficou a par da situação ontem, 20, durante a apresentação de suspeitos de crimes à imprensa, no Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional (PN).
De acordo com a informação veiculada pelas autoridades policiais, Victor José, assessor do administrador municipal de Cacuaco, e Lázaro Pascoal Mendes de Almeida, funcionário do República, foram detidos no passado dia 8, sob acusação de extorsão.
A vítima seria o administrador Carlos Cavuquila, que denunciou o caso às entidades competentes, na sequência da alegada cobrança de um 1 milhão e quinhentos mil kwanzas em troca da não publicação, nesse jornal, de notícias que lhe seriam prejudiciais.
O caso envolve também o director do República, Martinho Fortes, igualmente acusado, mas em liberdade porque reside em Portugal.
“O director do jornal andou a publicar muitas matérias sobre o administrador de Cacuaco. Para o jornal parar com as publicações, Carlos Cavuquila mandou o assessor contactar a nossa direcção e negociar”, relatou ao Novo Jornal Online Lázaro de Almeida, acrescentando que na sequência dessa combinação o político deu instruções para que a entrega do dinheiro fosse feita na própria administração municipal.

Administrador alertou autoridades

O funcionário do República contou que se limitou a cumprir as indicações, tendo-se deslocado ao local combinado para levantar um envelope contendo “um milhão e quinhentos mil Kwanzas”, valor que Carlos Cavuquila terá prometido ao director do jornal para deixar de publicar matérias negativas para a imagem do administrador e do próprio município de Cacuaco.
Ainda segundo Lázaro de Almeida, o “negócio” foi abortado por Caviquila.
“O meu director mandou-me ir à administração pegar os valores. Quando cheguei, o administrador mandou aguardar. Passados trinta minutos apareceram os homens do SIC, e pediram-me para os acompanhar até à esquadra”, disse, acrescentando que foi no Comando da Divisão de Cacuaco que recebeu a informação de que estava a ser detido por extorsão ao administrador.
Preso sob a mesma acusação, o ex-assessor do administrador de Cacuaco, Victor José, garante que não está envolvido.
“Eu nem sei porque é que o administrador me mandou deter. Simplesmente estava a fazer uma ponte com a direcção do Jornal República, para resolvermos o assunto da melhor maneira” realçou.Victor José adiantou ainda que o director do República tem muitas matérias arquivadas que podem comprometer a imagem do administrador.
“Por se tratar de assuntos bastante delicados, o administrador sugeriu que deveríamos negociar”, reforçou.
Contactado pelo Novo Jornal Online o administrador municipal de Cacuaco recusou prestar declarações.

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