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Há 170 milhões de câmaras de vigilância na China

Há 170 milhões de câmaras de vigilância na China

Este sistema avançado de videovigilância utiliza, por exemplo, o reconhecimento facial para identificar cidadãos. Mas a polícia garante: “Não precisam de se preocupar”.



George Orwell estará certamente a dar voltas no túmulo. É que nem na célebre distopia [“1984”] que escreveu a privacidade dos cidadãos é tão assombrada como é atualmente na China. Sim, há mesmo um Big Brother a observar os chineses.

Os números não são oficiais, mas a BBC escreve que há pelo menos 170 milhões de câmaras de videovigilância espalhadas pelo país. Mas escreve igualmente que, nos próximos anos, o regime de Xi Jinping pretende aumentar para 400 milhões este número.

Mas este não é apenas um circuito fechado de TV como outros que há, por exemplo, em Portugal: é considerado o maior e mais moderno sistema de vigilância do mundo. E utiliza, por exemplo, o reconhecimento facial para identificar cidadãos.

Mais: o sistema de vigilância cruza igualmente informação, desde o grau de parentesco do cidadão identificado como o veículo que utiliza (e que percursos fez nos últimos tempos) e as pessoas com quem tem entrado em contacto – uma informação que a BBC confirmou junto da fabricante de câmarasde videovigilância Dahua Technology.

No entanto, e segundo fonte policial da cidade de Guiyang, as autoridades não vão guardar ou utilizar a informação recolhida dos cidadãos, servindo apenas este sistema para identificar criminosos.

“Os cidadãos não precisam se preocupar”, explicou à BBC Xu Yan, da polícia de Guiyang.

No entanto há quem critique este Big Brother dos tempos modernos, considerando-o mais “ideológico” do que protetor É o caso do poeta e dissidente chinês Ji Feng, que vive em Pequim. E sente-se ameaçado pelo sistema em causa: “Sinto os olhos deles sobre mim todos os dias. São olhos invisíveis que me seguem. Então, faça o que fizer, hesito sempre. Se a mentalidade da polícia não se alterar, a vigilância sobre os dissidentes pode intensificar-se”, explicou.

A empresa Dahua Technology defende-se. E explica: “A tecnologia é uma ferramenta para o ser humano. Assim como é uma arma. Se estiver em mãos erradas, pode resultar em coisas más. Mas se a tecnologia continua a avançar com a inteligência artificial é porque ela pode fazer muitas coisas boas.”

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