A sentença foi proferida pelo juiz Hélder Pedro, que considerou o réu culpado dos crimes de homicídio qualificado (24 anos de prisão), tentativa de homicídio (20 anos) e posse de estupefacientes (três meses de prisão), que, por cúmulo jurídico, resultam numa “pena única e máxima de 30 anos de prisão”.

O veredicto, do qual a defesa já disse que pretende recorrer, surge cerca de sete meses após o encarceramento de Severiano Tchivinda, de 31 anos, detido em Abril na sequência da decapitação de duas jovens espaço de um mês, no município do Menongue, capital do Kuando Kubango.

Para além de ter apanhado 30 anos de cadeia, o “corta cabeça” terá de indemnizar os ofendidos e sobreviventes dos crimes de tentativa de homicídio, por danos não patrimoniais, numa quantia de 200 mil kwanzas a cada um.

A este valor junta-se ainda o pagamento de cinco milhões de Kwanzas aos familiares das vítimas mortais (um milhão por cada caso).

Recorde-se que as autoridades encontraram na residência do réu, em Abril passado, as cabeças de duas das vítimas, uma assassinada a golpes de catana.

Aquando da detenção, Severiano admitiu os crimes, dizendo que atacava as mulheres por suspeitas de prostituição e explicando que guardou as cabeças em cumprimento de uma tradição ancestral.

“Fico com as cabeças, porque sei que os nossos reis viviam com as cabeças das pessoas nas suas próprias casas”, afirmou, acrescentando: “O dinheiro tem símbolo da cabeça”.