Cidade do Lubango está sem dinheiro para limpeza

Um total de 10 milhões de kwanzas são necessários mensalmente para manter a cidade do Lubango limpa, segundo o administrador municipal, Francisco Leonardo.

De acordo ainda com o administrador, para se dar uma resposta cabal ao melhoramento do saneamento básico da cidade seria também preciso mobilizar 120 trabalhadores, mas como o dinheiro referido não foi disponibilizado a administração tem usado os meios à sua disposição na recolha e tratamento de resíduos sólidos, o que não tem surtido os efeitos desejados.
Francisco Barros Leonardo lamenta também o facto de algumas empresas que se tinham comprometido com a recolha do lixo terem desistido devido à falta de pagamento há mais de três anos.
“Uma das grandes preocupações que os munícipes têm estado a apresentar tem a ver com a operacionalização do saneamento básico.
A nível do município o orçamento previsto no programa das cidades limpas para o ano 2017 é de 3 mi­lhões e 450 mil kwanzas e só recebemos cerca de 676 mil e 420, uma quantia que não chega para as necessidades de limpeza”, lamentou. Informou que as empresas que foram contratadas para a recolha do lixo praticamente não desempenham o seu trabalho, pois algumas já desistiram e no seu entender esse mau desempenho tem a ver simplesmente com a falta de pagamentos.
“Nós estamos com algumas dívidas de 2015, uma parte de 2016 e algumas de 2017, o que tem afectado o desempenho das empresas contratadas. Quem tem assumido praticamente este trabalho é a própria administração municipal, com todo tipo de dificuldades, porque estamos conscientes de que não podemos deixar a cidade suja”, reconheceu.
O administrador justificou serem necessários esses 10 milhões de kwanzas, mensalmente, para serem empregues no pagamento do pessoal calculado em mais de 120 trabalhadores que se dedicariam única e simplesmente à limpeza e recolha dos resíduos da cidade. Em termos de equipamentos disse estarem a precisar de pelo menos seis carros compactadores de lixo, quatro pás carregadoras e duas giratórias, dez tractores com os respectivos atrelados e outros equipamentos de limpeza, como vassouras, que poderiam estar avaliados em mais de cinco milhões de kwanzas.

Programa municipal

O administrador municipal do Lubango, Francisco Barros, defendeu a continuidade do programa municipal integrado e de combate à fome e redução da pobreza, que na sua óptica tem contribuído imenso na construção de escolas em todas as comunas, assim como na melhoria da assistência sanitária.
“Este programa trouxe vá­rios benefícios às nossas po­pulações, o que se passa é que, às vezes, pensamos que o Lubango apenas é aqui no casco urbano. Com este programa nós construímos, em todas as comunas, escolas, centros e postos de saúde, compramos medicamentos, levamos o projecto água para todos à maior parte da população, sobretudo àquela que vive em situações criticas, como as comunas da Huíla, Arimba, do Hoque e uma parte da Quilemba”, disse.
O administrador reconheceu que ainda é preciso muito trabalho para que a população tenha água em abundância, escolas, centros de saúde e outros serviços que correspondam com as suas expectativas. “Vamos continuar e esperamos que o próximo orçamento contemple valores que garantam a continuação dos projectos”, sublinhou o administrador.

Projectos por concretizar

O administrador do Lubango informou que vários projectos de impacto social traçados para este ano ficaram inacabados devido à falta de recursos financeiros. A título de exemplo, o administrador aponta a requalificação de estradas secundárias e terciárias, a iluminação pública e reciclagem de estradas e passeios e a infra-estruturação de terrenos para a autoconstrução dirigida.
“Nós tínhamos uma cabimentação de quase 212 mi­lhões de Kwanzas, mas des­te valor apenas foram cabimentados cerca de 30 por cento, dos quais apenas 20 é que tiveram pagamento, por este facto a administração municipal não conseguiu concretizar de forma efectiva aquilo que pretendia fazer em 2017”, justificou Francisco Barros.
O administrador municipal do Lubango apontou outros projectos que também foram afectados pela exiguidade financeira, tais como o projecto da construção de duas administrações de bairros, particularmente a administração modelo no bairro comandante Cow Boy, que ainda está por se concluir, por falta de pagamentos.

Perspectivas para o ano económico de 2018

A Administração
 Municipal do Lubango necessita de um orçamento equivalente em kwanzas a 10 milhões de dólares norte-americanos, com vista à implementação de projectos sociais e económicos, duran­te o exercício económico de 2018, afirmou o seu administrador, Francisco Barros Leonardo.
Francisco Leonardo, que falava na cerimónia de cumprimentos de fim de ano, sublinhou que esta cifra vai servir para investir na rede de transportes, energia eléctrica, água potável, reparação de estradas e passeios, infra-estruturas escolares, postos médicos, centros de saúde, saneamento básico, entre outros. O processo de recuperação de infra-estruturas sociais no domínio público deve merecer “atenção especial” da administração local do Estado e da classe empresarial, enfatizou.
“Estamos na era de governação aberta e participativa, que exigirá de nós mais em­penho, rigor, transparência e fiscalização da coisa pú­blica, e também teremos que ter em conta a opinião pública, diferenciar o real do imaginário, para que os interesses da maioria não sejam postos em causa”, sustentou. Lembrou que o ano de 2017 não foi “muito bom”,  devido à crise, mas,  ainda assim, “muitas coisas caminharam bem, como a admissão de novos médicos, construção de novos centros de saúde nas comunas, investimentos que custaram ao Estado 35 milhões de kwanzas”.
Neste ano, “tivemos ainda como ganhos as novas redes de energia eléctrica de média e baixa tensão, num espaço de 685. 564, 41 quilómetros contra a extensão antiga de 357,45 quilómetros”, acrescentou.
No sector das águas, foram executados 81 quilómetros de novas redes de extensão de conduta equivalente a seis mil 450 consumidores e 280 pontos de água, contra os 30 quilómetros anteriores que atingiam apenas 3.500 consumidores.

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