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Carlos Cavuquila: um “extorquido” planista

Carlos Cavuquila: um “extorquido” planista

Retiramos alguns minutos reservados ao ambiente festivo habitual nessa fase do ano para, desinteressadamente, tecermos a nossa opinião sobre o escândalo que envolve, mais uma vez, o administrador municipal de Cacuaco, Carlos Cavuquila e o jornal semanal, A REPÚBLICA, de direito, exclusivamente, angolano.


Por: Vasco da Gama| Jornalista


Dos escritos e sons apreciados, a respeito, e, se feito com simplicidade, fica a ideia de um Carlos Cavuquila feito vítima de extorsão, de maldade por parte de dois jovens, jornalista/colaborador e um assessor de imprensa, este último adstrito ao seu “estratégico” gabinete de imprensa.
Da apreciação depreende-se que, para o administrador, o jornal terá solicitado o referido montante para fins de protecção da sua imagem, o que, em nossa opinião, é pouco comum e provável pelas justificativas que a seguir vamos avançar, sem, neste ponto de vista, defendermos o jornal, o seu colaborador nem mesmo o assessor de imprensa e o Martinho Fortes, que falou à RNA, em nome da publicação.
Portanto, a apreciação desloca-se da defesa de uns em prejuízo de outros. Haverá apenas um olhar dos factos!
Voltando aos factos e para o colaborador/jornalista foi o próprio administrador, na pessoa do seu assessor de imprensa que se dirigiu a ele a fim de firmar uma parceria com o jornal com vista a evitar notícias, por si, consideradas nocivas à sua imagem e, por conseguinte, a do município que dirige, Cacuaco, no caso.
No pesaroso do colaborador, que nos parece o mais apreciável e próximo da verdade de todos os factos em discussão, tendo em atenção a linha editorial do jornal A República e a forma como o impetrante da acção judicial age com a imprensa, na globalidade, a acção (parceria) não foi proposta pelo jornal mas, sim pela administração.
Aliás, só assim se justifica que os mesmos tenham sido detidos, inicialmente, com a informação de que pesava contra eles acusações de venda ilegal de terrenos quando, na verdade, o problema era de extorsão.
Prosseguindo, Carlos Cavuquila terá dado impulso aos actos em foco tal como ocorreu, há tempos, e segundo avançam pessoas próximas a si, com um grupo de activistas, vulgo, “revus”, de Cacuaco, que segundo sabemos terão sido chamados pelo gabinete do administrador para um encontro versado na resposta de algumas reclamações por eles apresentadas em actos de manifestações de rua naquela circunscrição de Luanda. No final do encontro o gabinete entregou um envelope contendo valores monetários para, alegadamente, suportar a transportação dos “revus”. Refere-se.
No entanto, na altura da entrega e das conversações Cavuquila gravou todo o cenário e, depois, entregou o referido vídeo a alguns jornalistas alegando que aqueles jovens teriam recebido dinheiro para abandonarem as manifestações, informação desmentida pelos jovens fazendo referencia que não houve pré-condições para o recebimento e que Cavuquila teria dado o dinheiro apenas para o transporte, em gesto de solidariedade.
Portanto, essa intenção de gravar um vídeo na “clandestinidade” a pessoas por si chamadas para resolver problemas da colectividade pode, a nosso ver, evidenciar que a chantagem a que hoje se diz vítima é sua prática, como fez com os “revus” que depois tiveram que justificar aos jornalistas que receberam o mesmo vídeo. Ademais, causou mal entendido entre os demais activistas que passaram a olhar para aqueles “revus” como traidores e infiltrados.
Consta ainda que o político terá firmado, anteriormente, uma parceria com dois jornalistas afectos a um órgão crítico ao regime de José Eduardo dos Santos, na altura, que tinham como missão vetar notícias nocivas a ele e ao município com contrapartidas não bem declaradas.
Trazido este histórico, pode perceber-se que o jornal A República, com todos seus males, editoriais, éticos, deontológicos e de apuramento técnico, pode ser vítima dessa chantagem pois os relatos aproximam-se ao “ADN” governativo do político em destaque. Porém, este último episódio carece de mais aprofundamento no sentido de que a iniciativa de tal parceria e consequentemente o pagamento e recebimento dos valores poderiam ter sido iniciados por ele.
A ser assim, o crime de extorsão e chantagem previsto e punível no artigo 452º do Código Penal vigente no País a que se lhe imputa não faz sentido porquanto os factos poderão ter ocorrido com a clara intenção daquele em comprometer o trabalho do jornal e, com isso, coibi-lo de noticiar matérias em que o município e a sua administração estejam ligados.
Deve, a este respeito, haver então, calunia e difamação deste contra os agora detidos e, com isso, declarar-se a inversão da qualidade das partes, sendo, no entanto, Carlos Cavuquila um extorquido a espera da cadeia!



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