A notícia, assim como ela acontece

Afastada da Sonangol Isabel dos Santos dedica-se a denunciar corrupção

João Lourenço, o presidente angolano, exonerou a 15 de Novembro Isabel dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol. A filha do anterior chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, não aceitou com agrado a decisão e decidiu denunciar alegados casos de corrupção dentro do sistema angolano.
A “princesa de África”, como é muitas vezes apelidada a maior parte das vezes pelos seus opositores, tem uma presença bastante activa nas redes sociais, principalmente no Instagram e no Twitter. Através destes meios, Isabel dos Santos aproveitou para mostrar aquilo que havia conseguido enquanto dirigia a empresa mais lucrativa de Angola e, ao mesmo tempo, lançar dúvidas sobre o carácter dos que a substituíram.

Dois dias depois de ter sido afastada, dos Santos pronunciou-se pela segunda vez sobre o assunto (no dia anterior tinha deixado uma mensagem de agradecimento a todos aqueles que a ajudaram a “liderar a recuperação da nossa empresa nacional de petróleo”), com três imagens intituladas “Verdades Sonangol”. Nessas imagens citava vários presidentes de instituições que celebravam as conquistas da Sonangol, conseguidas enquanto dos Santos estava à frente da empresa.

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Instagram

No mesmo dia, partilhou no Twitter um vídeo onde era reproduzido o apresentar o Relatório e Contas de 2016 onde se destacava “um crescimento de 36% nos resultados operacionais” da Sonangol.

Na semana seguinte, a 21 de Novembro, era altura de começar a colocar na ribalta os que a substituíam na liderança da petrolífera estatal. A “princesa de África” partilhou uma notíciaque dava conta que Luís Ferreira do Nascimento José Maria, gestor que faz parte da nova administração da Sonangol, terá alegadamente “recebido cerca de 2,5 milhões dos 25 milhões de euros que terão sido desviados de forma ilícita dos cofres de uma subsidiária da petrolífera angolana, a Sonair”.

Dias depois, Isabel dos Santos partilhou um artigo de opinião escrito pelo fundador do semanário Sol, o arquitecto José Saraiva. Neste artigo, Saraiva parece fazer uma crítica velada às demissões levadas a cabo por João Lourenço, dois meses depois de ter sido eleito. Segundo Saraiva, havia duas hipóteses que podiam justificar esta actuação: a primeira era de que Lourenço estava a “lutar desesperadamente pela sobrevivência, e temia que, se não corresse com aquela gente, eles acabariam por fazer-lhe a cama”; a segunda era de que “Lourenço está confortável com o poder que tem e sente-se com a força necessária para meter nos postos-chave pessoas da sua confiança”.

Saraiva continua ainda escrevendo que, a verificar-se a primeira hipótese (tratar-se de uma luta pela sobrevivência), as demissões significam que “a situação em Angola está periclitante e em qualquer altura pode degenerar em guerra aberta”. A revelar-se verdadeira a segunda hipótese (ser apenas uma manifestação de poder), tal assemelhava-se ao arquitecto como “pouco recomendável”.

revolucao-em-angola https://sol.sapo.pt/noticia/590033/revolucao-em-angola 

Revolução em Angola

O que parece é simples demais para ser verdade. É isto que me ocorre dizer sobre a onda de demissões que varre Luanda. Os comentadores congratulam-se e acham que está em curso uma Primavera angolana….

sol.sapo.pt

A partilha de artigos (de novo, de meios de comunicação social portugueses) continuou dois dias depois, desta feita ao partilhar uma notícia da agência noticiosa nacional, Lusa, veiculada pela RTP, sobre o facto da consultora BMI Research considerar que a “onda de exonerações em Angola significa apenas uma dança das cadeiras e não sinalizar a implementação das reformas que estes analistas consideram ser necessárias para o crescimento económico”.

Exonerações em Angola são só dança das cadeiras sem reformas, avalia BMI – Mundo – RTP Notícias https://www.rtp.pt/noticias/mundo/exoneracoes-em-angola-sao-so-danca-das-cadeiras-sem-reformas-avalia-bmi_n1042740#undefined.uxfs 

Exonerações em Angola são só dança das cadeiras sem reformas, avalia BMI

A consultora BMI Research considera que a onda de exonerações em Angola significa apenas uma dança das cadeiras e não sinaliza a implementação das …

rtp.pt

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No dia seguinte, nova publicação, desta vez com direito a comentário por parte da filha de José Eduardo dos Santos. Partilhando um artigo do jornal Observador, Isabel interroga-se sobre a possível intenção do executivo de João Lourenço em querer obter um monopólio das comunicações no país. A notícia da agência Lusa dava conta de que o governo angolano ia “lançar um concurso público internacional para um quarto operador de telecomunicações, incluindo a rede fixa, móvel e de televisão por subscrição, integrando o Estado a estrutura accionista com 45% do capital”.

Nota: Isabel dos Santos detêm a operadora privada de telecomunicações angolana Unitel. A PT tinha capital da empresa aquando do seu lançamento. A Unitel detém a liderança do mercado em número de clientes.

Monopólio ??Angola lança concurso para quarto operador de telecomunicações: http://observador.pt/2017/11/27/angola-lanca-concurso-para-quarto-operador-de-telecomunicacoes/  via @observadorpt

Angola lança concurso para quarto operador de telecomunicações

O Governo angolano vai lançar um concurso público internacional para um quarto operador de telecomunicações, incluindo a rede fixa, móvel e de te…

observador.pt

Alguns dias depois, Isabel dos Santos voltou ao ataque através do Twitter. Na rede social, a empresária defendeu-se das acusações de nepotismo. Na publicação, dos Santos escrevia: “a palavra nepotismo significa a promoção de uma pessoa incompetente para um determinado cargo pelo único facto de ser membro da sua família”. José Eduardo dos Santos foi constantemente acusado de ter favorecido os seus descendentes na distribuição de cargos públicos. Isabel dos Santos e os seus irmãos serviram, durante vários anos, como directores de empresas de grande responsabilidade financeira dentro do regime angolano, incluindo a Sonangol, a “galinha dos ovos douro” angolana.

a palavra nepotismo significa a promoção de uma pessoa incompetente para um determinado cargo pelo único facto de ser membro da sua família

De seguida, numa segunda publicação lembrava que “todos os membros dos Conselhos de Administração das Empresas Públicas, são PEP’s, isso não afecta a sua capacidade de gerir as empresas”. Defendia-se de um editorial escrito por Vitor Silva no Jornal de Angola, onde especulava que a Sonangol “viu agravar a sua dívida e complicar as relações com as operadoras estrangeiras” por ter à sua frente Isabel dos Santos, uma pessoa “sob o radar do mundo financeiro mundial”

Nota: os PEP (Pessoas Politicamente Expostas) são aquelas que, segundo a definição do Parlamento Europeu, “podem representar um risco mais elevado de corrupção pelo facto de exercerem ou terem exercido funções públicas importantes”. Nestes casos, estas pessoas devem ser sujeitas a um escrutínio que permita determinar a origem do património e a origem dos fundos envolvidos em transacções acima dos 15 mil euros. Esta designação estende-se a familiares directos de pessoas em cargos de poder, como é o caso dos filhos de José Eduardo dos Santos.

É notório o recente uso do Jornal de Angola e da TPA para agendas pessoais e não do interesse público e de Angola  

Dias mais tarde continua a partilha de notícias sobre a corrupção no seio da economia angolana. Desta vez com a partilha de uma notícia que dava conta de que a Procuradoria-Geral da República angolana confirmava uma “investigação a um dos novos administradores da Sonangol, implicado num alegado esquema de serviços fictícios da TAP à Sonair”. A mesma notícia dava conta de que seria pedida a colaboração de Portugal na investigação.

Esta segunda-feira, Isabel dos Santos voltou às denúncias de corrupção, desta feita, partilhando um artigo de opinião referente a declarações do ministro das relações exteriores, Manuel Augusto. Nesse artigo é posto em causa o desejo de João Lourenço em terminar com a corrupção em Angola.

FONTE: SÁBADO

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