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A “extorsão” aos kupapatas soma e segue em Viana

Jovens que exercem a actividade de mototaxistas no município de Viana, em Luanda, denunciaram hoje, terça-feira, que são obrigados a pagar valores monetários a supostos fiscais de determinados mercados, como o da Sanzala, situação que consideram arbitrária.

Em declarações à Angop, naquela circunscrição, os mototaxistas disseram que pagam diariamente 100 kwanzas de cota à Associação dos Mototaxistas Transportadores de Angola (Amotrang), enquanto associados, pelo que não compreendem a razão de terem de pagar todos os dias a outras entidades.

Segundo Eduardo David, jovem de 27 anos proveniente da província do Huambo, cujo sonho é ser enfermeiro, existem em Viana fiscais não afectos à referida associação que também cobram 100 kwanzas diários, supostamente afectos à administração de mercados.

“Caso não pagues, podes ficar sem a motorizada, que algumas vezes é canalizada para unidades policiais, onde as coisas se complicam”, referiu.

O mototaxista, que diz arrecadar por semana acima de 20 mil kwanzas, dos quais a maioria é entregue ao patrão (dono da motocicleta), disse que com o que ganha tem conseguido sustentar a família, composta por esposa e dois filhos, e construiu a sua casa.

A mesma opinião é partilhada por Januário Joaquim, mototaxista igualmente proveniente da província do Huambo (Bailundo), que disse presenciar diariamente muita confusão entre mototaxistas e fiscais.

“Nós pagamos uma ficha de 100 kwanzas à Amotrang, mas junto dos mercados, outros fiscais não querem saber e nos obrigam a pagar mais 100 kwanzas diariamente. Se não o fizeres, podem te prender a motorizada e levam-te até a uma unidade policial, onde és obrigado a pagar mais para entregarem a moto”, adiantou.

Lamentou a atitude também de supostos fiscais da Amotrang, que se excedem na interpelação dos mototaxistas. “Alguns fiscais da Amotrang quando dão conta que não pagas as cotas há alguns dias, prendem as motocicletas e tens de pagar dois mil kwanzas as escondidas para te devolverem o meio”, pontualizou.

Amotrang reage e denuncia existência de falsos fiscais

Em função das reclamações dos associados, o presidente da Amotrang, Bento Rafael, orienta aos filiados, sempre que se sintam maltratados pelos fiscais, a ligarem para a associação.

“Estamos a realizar um trabalho com as autoridades afins, porque se detectou que existem falsos fiscais no terreno que estão a extorquir valores aos mototaxistas nas paragens. Os verdadeiros fiscais devem se fazer apresentar de um passe grande de peito, da Amotrang”, explicou.

Os fiscais da associação, informou, além de cobrarem as cotas, também são agentes de organização de paragens. “Eles não devem ir apenas cobrar, devem organizar, sensibilizar e também dar apoio aos associados”, disse.

O responsável considera ilegal a cobrança de valores além dos 100 kwanzas diários da cota, bem como a apreensão de motociclos. “Nós protegemos os motoqueiros, lutamos para legalizá-los, então não somos nós que os vamos prender e encaminhá-los às autoridades policiais, salvo aqueles que se infiltram para roubar ou praticar outras acções delituosas”.

A propósito, realçou que já conseguiram detectar motoqueiros armados, que se infiltram para cometer crimes. “Esses, quando detectados, são encaminhados pelos nossos fiscais às esquadras policiais. Também temos sensibilizado os motoqueiros no sentido de fiscalizarem e denunciarem os infiltrados com fins inconfessos”, acrescentou.

Na mesma senda, enfatizou que existe um decreto executivo que orienta que a única associação que deve cobrar aos motoqueiros, por ser a única que paga os seus impostos, é a Amotrang.

Destacou que embora seja uma ONG sem fins lucrativos, com as cotas que arrecada dos próprios membros, a Amotrang paga os impostos às finanças de todos os mototaxistas do país.

“O que acontece em determinados mercados, onde os seus supostos fiscais cobram taxas adicionais, é ilegal, e os nossos associados devem denunciar essas práticas”, concluiu.

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