Bens essenciais como alimentos, bebidas, roupas, calçados, brinquedos para crianças, entre outros, constam desde sempre dos produtos mais requisitados nesta época. Como em todos os anos, são essas as opiniões de consumidores entrevistados pelo Novo Jornal nos mercados dos Kwanzas no Cazenga, Quintalão do Petro no distrito do Kilamba Kiaxi, supermercados e as mais variadas e distintas superfícies comerciais.

No supermercado da Shoprite da Urbanização Nova Vida, a nossa equipa de reportagem verificou que o espírito natalício é despertado logo à entrada do estabelecimento, onde os jogos de luzes e árvores de Natal entre outros itens se destacam, prendendo desta forma a atenção de quem para lá se desloca.

Durante a nossa visita a este estabelecimento, o NJ constatou que há uma grande preocupação por parte de alguns consumidores na compra dos principais produtos para a ceia de Natal, e a situação económica do país acaba por ser apontada como a principal causa da subida dos preços dos produtos.

Anabela Muzumba, funcionária pública, diz estar bastante desanimada com os preços dos produtos em alguns supermercados, que estão “muito elevados”. Situação que, no entanto, não a impede de procurar festejar o Natal à sua maneira.

“As coisas este ano estão um pouco complicadas, mas mesmo assim terei uma ceia com o que tiver ao meu alcance”, contou ao NJ, quando fazia compras no supermercado. Na sua opinião, o local onde consegue economizar e comprar mais é no mercado informal. “Prefiro fazer as compras a retalho e a grosso nas praças e nos armazéns. Nestes locais, os preços são mais acessíveis e consigo comprar os produtos sem qualquer tipo de receio”, observou a funcionária, exemplificando que nos supermercados o quilo de tomate é sempre mais caro em relação às praças.

Por seu turno, Vasco Armando, que também procurava completar a cesta básica para o Natal, confidenciou que por ser homem lhe é mais difícil acertar a ementa, principalmente quando não se tem cabaz.

“Está complicado para toda a gente. Primeiramente pelos preços encontrados nos mercados e pela falta de cabazes em algumas empresas, como é o meu caso. Este é o segundo ano que não recebemos cabazes e assim fica difícil passar uma quadra festiva com o dinheiro que temos no bolso, porque todo o salário quase que acaba nas compras”, queixou-se o cidadão de 51 anos.

Num outro supermercado, o cenário não fugia à regra. Foi possível observar alguma agitação por parte dos clientes que aguardavam o registo e pagamento dos seus produtos.

Em conversa com a equipa de reportagem, um funcionário que preferiu o anonimato confidenciou-nos que os empregados este ano não têm direito a cabazes mas a um vale de compras no valor de 20 mil kwanzas.

“Este ano a empresa decidiu não oferecer cabaz a nenhum trabalhador, mas em troca receberemos 20 mil kwanzas em cartão de compras”, revelou a fonte, acrescentando que há mas estão apenas disponíveis para as empresas que os solicitam, e os preços varia entre os 12 mil e os 200 mil kwanzas.

Preços acessíveis no mercado informal

Para algumas vendedoras do Quintalão do Petro, mercado localizado no distrito urbano do Kilamba Kiaxi, o mês de Dezembro tem sido o melhor para a comercialização de produtos básicos. As mesmas salientam que a maior parte dos compradores deixa de fazer compras nos supermercados e vai para os locais de venda informal, onde os preços estão ao alcance de todos os bolsos.

Por este motivo, dizem-nos que muitas pessoas, nesta fase, abdicam dos supermercados e passam a comprar os seus produtos de Natal nestes pontos de venda. Tal opção agrada inevitavelmente às vendedoras do mercado. “Aqui, no Quintalão do Petro, os produtos estão a ser comercializados a um preço que facilita o comprador. Essa nossa prática de vendas ajuda-nos a despachar o negócio e a levar algumas coisas para os nossos filhos”, disseram.

Entre os produtos comercializados, os mais procurados nesta época de Natal, segundo contaram, são a carne, os ovos, grão-de-bico, ingredientes para bolos, frango, para além do azeite doce e óleo de palma. “Estes produtos são bons para a ceia de Natal”, explicou uma das vendedoras, acrescentando que esses são os bens que mais têm tido nas suas bancadas.

Salários atrasados condicionam compradores

Novo Jornal soube que alguns compradores ainda não receberam o salário do mês de Novembro, o que acaba por constituir um dos grandes obstáculos na altura de se fazer as compras.

“Até agora não recebi o salário e isso condiciona a minha ceia de Natal. Porque quem não tem o salário em dia não pode comprar absolutamente nada”, lamentou Manuel Ferrão, acrescentando que se tivesse recebido o ordenado com antecedência as coisas teriam tomado outro rumo.

Por seu lado, Diogo Carlos salienta que já recebeu o salário do mês de Novembro e teme que venha a receber tarde o ordenado de Dezembro, repetindo-se o episódio que já viveu no passado. “No ano passado o meu salário só caiu no princípio do ano seguinte e isso fez com que tivesse um Natal não muito bom”, lembrou o cidadão.

O secretário do Associativismo e Formação da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA), Evaristo Adão António, entende que várias famílias não têm tido muitas vezes o Natal desejado por causa dos seus vencimentos.

“Algumas famílias não terão como festejar o desejado Natal porque ainda sentem os efeitos da crise financeira. Os salários já são baixos e o valor da cesta básica é alto. Só para terem uma noção, a cesta básica custa aproximadamente 68 mil kwanzas e o salário mínimo é de 15 mil. Como é que a pessoa consegue sobreviver?”, questionou.

O responsável aconselha os trabalhadores a prepararem antecipadamente a época natalícia para que se evitem gastos excessivos e especulações de preços na quadra festiva. “Os trabalhadores devem poupar ao máximo nessa época e não se darem ao luxo de gastarem todas as suas poupanças no mês em curso para se evitarem reclamações no mês seguinte”, advertiu os consumidores.