Os outros doentes (a maioria) sobem e descem as escadas ou são carregados aos ombros por familiares ou em macas pelos maqueiros de serviço, de piso para piso (o Hospital Central do Lubango tem sete andares), porque o elevador, destinado a quem não pode pagar, não funciona há mais de um mês (ver vídeo).

Mas esse não é o drama maior que enfrentam os doentes que recorrem ao hospital público. O bloco operatório está em obras há cinco meses, mas no terceiro piso há uma sala de operações apetrechada com os equipamentos retirados do bloco, para atender quem possa pagar 7.000 kwanzas por noite (o doente adianta logo o valor de três noites), mais o valor da cirurgia, que pode ascender aos 150 mil kwanzas.

A triagem é feita logo à entrada da unidade de saúde ou durante as consultas externas. Há mesmo médicos que aconselham os menos afortunados – «vai vender um boi e volta cá» – durante o acto clínico.

Os que podem pagar são imediatamente encaminhados para a Área VIP, quer para exames de diagnóstico quer para cirurgia. Aos que não conseguem juntar o valor necessário é dito que o bloco operatório não funciona e que, sendo assim, não é possível operá-los, remetendo-os para uma lista que não tem fim nem prazo.

“Há muita gente à espera, existem pessoas que não têm condições de pagar Área VIP e estão à espera há três e cinco anos”, revelou uma funcionária do hospital.

Várias fontes hospitalares, tal como alguns doentes que já usufruíram dos serviços da Área VIP, contaram ao Novo Jornal Online que “na área VIP não há tempo de espera e os médicos são os mesmos que atendem nas consultas externas da área normal do hospital. Os pacientes pagam tudo”.

O Novo Jornal Online tentou obter esclarecimentos por parte da direcção do Hospital Central do Lubango, que se mostrou indisponível para receber jornalistas, alegando não poder fazê-lo sem o consentimento da Direcção Provincial da Saúde.