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Os luxos e bizarrias de presidentes africanos há décadas no poder

Obiang é acusado de canibalismo e numas eleições terá conseguiu 103% dos votos. Paul Biya chegou a gastar 34 mil euros por dia

Têm todos mais de 70 anos, lideram o destino de países africanos abaixo do deserto do Sahara e estão no poder há décadas. Dois deles são os governantes mais velhos em exercício do mundo, exceptuando regimes de monarquia. Todos são acusados de crimes contra a humanidade e de corrupção ou fraude eleitoral. Há ainda alguns que são considerados dos piores ditadores do mundo.

São casados – alguns com mulheres bem mais novas – e têm contas bancárias com somas bastante elevadas, um deles é mesmo considerado dos governantes mais ricos do mundo. Gostam de gastar dinheiro em luxos, como hotéis e praticam uma espécie de culto de personalidade.

Conheça aqui as extravagâncias e curiosidades de alguns dos líderes mais influentes do continente africano.

Paul Biya, presidente dos Camarões: gastou 34 mil euros por dia durante umas férias

Paul Biya, de 84 anos, é o presidente dos Camarões desde 1982, estando na presidência deste país há 35 anos. Foi primeiro-ministro do país e sucedeu ao presidente Ahmadou Ahidjo, quando este se afastou da presidência. Nos anos de 1983 e 1984, um golpe forjado permitiu-lhe eliminar todos os seus rivais. É considerado o governante há mais tempo no poder. Contando com o período em que foi primeiro-ministro, está à frente do destino de um país há 42 anos. A sua mulher, Chantal Biya, é 34 anos mais nova.

Desde que subiu ao poder nunca perdeu umas eleições. Em 1992, nas presidenciais ganhou por uma curta margem. No entanto, em todas as eleições seguintes venceu sempre por uma grande margem. Esta diferença levou a que a oposição dentro do país e vários países ocidentais acusassem Biya de irregularidades no processo presidencial.

Paul Byia
Paul Byia
Foto: Getty Images

Na obra Tyrants, the World’s 20 Worst Living Dictators (tradução livre: Tiranos, os piores 20 ditadores vivos do mundo) o historiador David Wallechinsky comparou Biya a outros ditadores da África Subsariana: Mugabe (Zimbabué), Obiang (Guiné Equatorial) e o rei Mswati (Suazilândia), escrevendo que “de anos a anos, Biya encena umas eleições para justificar a sua permanência no poder, no entanto, essas eleições não têm qualquer credibilidade”. Em 2017 surgiram rumores de que Biya tinha promovido um genocídio no Sul do país a que preside.

Aquela que parece ser a sua maior extravagância pública? Biya passa, regularmente, longos períodos na Suíça, no hotel InterContinental Geneva, hotel em que cada suite básica custa mais de 250 euros por noite. A duração destas estadias varia entre as duas semanas e os três meses, apesar da imprensa estatal se referir às mesmas sempre como “curtas estadias”. O antigo director da unidade hoteleira garantia que o presidente dos Camarões ia ao país para trabalhar em sossego.

Em 2009, as suas férias em França terão custado aproximadamente 34 mil euros por dia. Durante essas férias o presidente camaronense terá alugado em simultâneo 43 quartos de hotel, avançava na altura a BBC.

Teodoro Obiang, presidente da Guiné Equatorial e acusado de canibalismo

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo tem 75 anos e é presidente da Guiné Equatorial desde 1979, há 38 anos. Subiu ao poder depois de ter afastado o seu tio Francisco Macías Nguema da presidência, através de um golpe militar. É o segundo homem há mais tempo à frente do destino de um país, seguido de Robert Mugabe.

Desde que subiu à presidência aniquilou quase todas as formas de oposição e foi já acusado de corrupção e de abuso de poder. Nas duas primeiras eleições à presidência concorreu sozinho e nas seguintes ganhou sempre com pelo menos 97% dos votos. O regime foi acusado de fraude nas eleições. Numa das distritais de voto, Obiang conseguiu inclusivamente 103% dos votos, afirma o jornal alemão Der Spiegel.

Figura pública desde a década de 70 do século XX, são várias as controvérsias que incluem Obiang. Entre elas, acusações de canibalismo, de ter angariado 700 milhões de dólares, cuja totalidade do valor se encontra num banco norte-americano. Uma das suas cinco mulheres (a que é considerada primeira-dama) tem também o hábito de gastar largas quantias de dinheiro.

Obiang
Obiang
Foto: Getty Images

Em Julho de 2003, Obiang foi declarado pela rádio estatal como “o deus do país” e que “podia matar sem poder ser chamado à justiça e sem ir para o Inferno”. O próprio presidente fez afirmações no sentido de incitar o culto do líder, desejando várias vezes que Deus o salve, em vez de pedir salvação para a nação a que preside.

Obiang é acusado de atentar em diversas situações contra a humanidade, pelas Nações Unidas.

Sassou Nguesso, presidente da República do Congo, gastou 150 mil euros durante conferência da ONU

Denis Sassou Nguesso, com 74 anos, é o presidente da República do Congo desde 1979, tendo o seu mandato sido interrompido entre 1992 e 1997. Nas eleições de 1992 conseguiu apenas o terceiro lugar. Mas em 1997 as suas tropas expulsaram o presidente Pascal Lissouba do poder, que foi usurpado por Nguesso. Desde então venceu três eleições.

Nguesso e o seu governo são acusados de usarem força excessiva para manter o poder e de terem matado opositores que se manifestavam depois do resultado das últimas eleições.

Sassou Nguesso
Sassou Nguesso
Foto: Getty Images

Em Setembro de 2006, durante a reunião geral das Nações Unidas, Sassou Nguesso e a sua entourage ocuparam 44 quartos que custaram um total de aproximadamente 145.000 euros, dos quais 20 mil terão sido gastos em serviço de quartos no Waldorf Astoria.

Omar al-Bashir, presidente do Sudão, o homem que quer uma NASA em África

Omar Al-Bashir, de 73 anos, é o sétimo presidente do Sudão, que está no poder há 28 anos, na sequência de um golpe militar. Desde então, foi eleito três vezes.

Omar al-Bashir tornou-se, em Março de 2009, o primeiro presidente em funções da história a ser indiciado pelo Tribunal Criminal Internacional por ter, alegadamente, promovido uma campanha de homicídios em massa, violações e pilhagem de aldeias, no Darfur. A guerra no Darfur, segundo o governo do Sudão, causou a morte de 10.000 pessoas, no entanto várias fontes referem que terão morrido entre 200.000 e 400.000 pessoas. Esta guerra no Darfur levou ainda à deslocação de 2,5 milhões de pessoas – a população desta região é de cerca de 6,2 milhões.

Em 2012, Bashir propôs que fosse criada uma agência espacial em África. Num comunicado divulgado, o presidente sudanês garante que ter uma agência espacial iria “libertar África da dominação tecnológica”. O plano ainda não avançou desde 2012.

Omar al-Bashir
Omar al-Bashir
Foto: Getty Images

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